sexta-feira, 6 de novembro de 2009

:: warm tiny breads ::

THE SWELL SEASON - Strict Joy
http://www.mediafire.com/?2zfyzwblmoz
[novo álbum do casal do filme 'Once - Apenas Uma Vez']



DEVENDRA BANHART - What Will Be Will Be
http://www.mediafire.com/?yomw1nt2mzd





JULIAN CASABLANCAS - Phrazes For The Young
[1o solo do vocal do Strokes]


TOM RUSSELL - Blood and Candle Smoke
http://www.mediafire.com/?oztmwttyvtz



BAD LIEUTENANT - Never Cry Another Tear
http://www.mediafire.com/?a1yyhmitmm3
[novo projeto de Bernard Summer, do New Order/Joy Division]


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

:: Procura-se ::


Por onde andará Stephen Fry?
Zeca Baleiro
por Francine Micheli

Sem sombra de dúvidas, "Por onde andará Stephen Fry" (1997) é figura ilustre na categoria de cds-perdidos-no-fundo-da-gaveta-há-miliano-atrás. E num surto de retrocesso, coloquei o bichinho pra tocar sem segundas intenções e tive um pensamento: é possível sim que nos apaixonemos pela segunda vez pela mesmoa pessoa - ou pelo mesmo disco.

Depois de 12 anos, o primeiro cd de Zeca Baleiro rodou repetidamente na minha vitrola e a cada vez era possível descobrir detalhes que eu, no auge da imbecilidade da minha adolescência, nunca tinha tido maturidade suficiente para absorver. É um trabalho conciso, redondo, engraçadíssimo, irônico e muito, muito competente. Disco de ouro na época, considerado pela Rolling Stone um dos melhores discos da década passada.

Ok, deixando os louros de lado, é bom lembrar que esse é o disco que tem o primeiro rock celestial do planeta: "Heavy Metal do Senhor" é uma pachorra talentosa, enquanto abre a porteira pra boiada que vem em seguida. É ponto de umbanda musicado, xaxado, boi-bumbá, róquenrol e uma particularidade: tudo junto sem parecer bairrista.

"Salão de beleza" critica a mania das mulheres de querer ser belas demais - sem soar lugar-comum, e "Parque da Juracy" homenageia Steven Spielberg e Genival Lacerda num techno-forró de lascar a sola do sapato e rachar o bico. Tem também a menos conhecida "Skap", uma declaração de amor simplesmente deliciosa e "Kid Vinil", um converta aos prazeres da tecnologia.

Às vezes, falar da criatividade de Zeca Baleiro pode ser algo meio chover no molhado. Mas quando se ouve o estreante Por Onde Andará Stephen Fry é fácil cair nas garras da sabedoria nordestina que tira sarro do resto do mundo.

E viva a buchada de bode!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

:: Sleater-Kinney For Dummies ::


:: SLEATER-KINNEY FOR DUMMIES ::
por Eduardo Carli

Deve haver algum rótulo psicanalítico horroroso para descrever meu estado - compulsão obsessiva ou fixação no objeto libidinal, quem sabe? - mas eu prefiro descomplicar e dizer: com o Sleater-Kinney, tenho faz anos um tórrido love affair, plenamente correspondido e altamente recompensador, e que pra mim nada tem de patológico. Sleater-Kinney é vida!

Como não amar um punk rock tão empolgante e inflamado, cantado e tocado com uma emoção tão autêntica, turbinado com militância política e comentário social, e que ainda por cima é fruto de três garotas tão irresistivelmente cool? Desde o dia em que pela primeira vez ouvi "You're No Rock and Roll Fun" (um dos meus pet-sounds eternos para um air guitar e um karaokê-esganiçado no chuveiro...), desde a noite em que a melodia de "Little Babies" me deu uma insônia dos diabos por ser tão malditamente inesquecível, desde os momentos em que o crescendo e a catarse absurdos de "Step Aside" me lembraram de que o rock'n'roll é capaz de nos arrancar lágrimas, desde... bem, desde muito tempo atrás que eu guardo esta bandaça como uma das mais queridas de todas as que já conheci.

Nasceram em Olympia, Washington, na Costa do Pacífico, Noroeste dos EUA - cidade já celebrada pelo Rancid numa grande canção de ...And Out Come The Wolves. A princípio, foram uma banda restrita à cena riot grlll, rotulada com a reducionista etiqueta de "punk feminista", na onda do Bikini Kill e seus clones. Mas, a partir de Dig Me Out (1997), o primeiro dos clássicos, provaram ser algo bem mais colossal do que o feminismo e o punk - simplesmente, uma das grandes bandas de rock da América. A revista SPIN, por exemplo, não teve pudores de elegê-lo um dos 40 álbuns da década de 90 (merecidamente). Flertando com a new wave, com o grunge, com a Motown, lançaram mais um punhado de álbuns sensacionais: The Hot Rock e All Hands All The Bad One, clássicos modestos, e One Beat e The Woods, clássicos estrondosos. Em 2005, depois de conquistada uma fama considerável (estavam abrindo shows do Pearl Jam e aparecendo na TV nos David Lettermans da vida), declararam um hiato por tempo indefinido. Enquanto aguardamos, torcendo, o retorno de uma das mais apaixonantes bandas destas duas últimas décadas, é tempo de passear pelos 7 álbuns que as meninas nos deixaram (presentaços)...

Choque-se [shock yourself!] ao notar que um mero power trio (e de "menininhas"!) fabrica uma sonzeira de tão alta voltagem que ganha adjetivos como "colossal" e "monumental" na boca de críticos e fãs. Surpreenda-se notando que nem sente a falta de um contra-baixo na receita, tão certeiros, espertos e criativos são os riffs, licks e pirações da genial Carrie Browstein (recentemente eleita uma das 12 melhores guitarristas-de-calcinha da história do rock). Sinta calafrios na espinha com os gritos primais e as melodias doces e os blues anfetaminados que Corin Tucker, uma das mais comovedoras vozes femininas já a dar o ar de sua graça em disco, tira de seu abençoado gogó. Admire em êxtase enquanto a voz principal vai "transando" com a mais frágil e tímida cantoria de Carrie (The Hot Rock é quase um filme erótico-cult...), tudo ritmado pela batera-ciborgue e infalívelJanet Weiss.

Trago aqui uma coletinha - Sleater-Kinney For Dummies - com 15 sons que considero essenciais para quem ainda não conhece esta preciosidade de banda: privilegiando as musiquetas mais grudentas e fáceis de amar-à-primeira-ouvida, de várias fases e tendências, desde o riot grll primário de "I Wanna Be Your Joey Ramone", do começo de carreira, até as tendências mais épicas/Led-Zeppelianas de One Beat e The Woods. E pra não dizer que tamos miguelando disco, vai aí, além do ...For Dummies, o resto da discografia das moças.

Voilà:

GREATEST HITS [Seleção Depredando] - Sleater-Kinney For Dummies: 01) you're no rock and roll fun; 02) step aside; 03) little babies; 04) i wanna be your joey ramone; 05) oh!; 06) rollercoaster; 07) all hands on the bad one; 08) ballad of a ladyman; 09) get up; 10) wilderness; 11) end of you; 12) jumpers; 13) hollywood ending; 14) leave you behind; 15) sympathy.

DOWNLOAD
: http://www.mediafire.com/?xn2qfyt133y



1995 - Sleater-Kinney

terça-feira, 27 de outubro de 2009

:: pãos ou pães, é questão de opiniães... ::

A FINE FRENZY - Bomb In a Birdcage

TIM HECKER - An Imaginary Country
THRICE - Beggars



KINGS OF CONVENIENCE - Declaration of Dependence


TAKEN BY TREES - East Of Eden
http://www.mediafire.com/?ymzdmmoytoj



FUCK BUTTONS - Tarot Sport

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

:: Kyuss ::

Antes da idade da pedra
- Bernardo Santana -


Lançado em 1992, Blues For The Red Sun foi o segundo — e melhor — disco da curtíssima e ensurdecedora carreira do Kyuss (pronucia-se "cáius", a propósito). Talvez você tenha ouvido falar dos caras como sendo “a primeira banda do cara do Queens of the Stone Age” ou “aqueles doidões que tocavam no deserto”, ou quem sabe como “os precursores do Stoner Rock”, ou algo que o valha… mas o Kyuss merece, com certeza, muito mais que isso na história do tiozão barrigudo que é o rock and roll.

Na época com dezenove aninhos, Josh Homme já mostrava em Blues todo o peso malemolente de sua guitarra. Aliás, na minha humilde opinião subjetiva, nunca mais (e eu disse NUNCA MAIS) desde então o cara soou tão certeiro em seus riffs. O peso bíblico de Writhe, Apothecaries' Weight e Molten Universe que o digam. Mas o grande mérito do Kyuss daquela época — e do disco aqui pirateado, por conseguinte — sobre o Queens, por exemplo, foi contar com muito mais do que a habilidade do molecote Homme para fazer seu barulho.

Diferente das rainhas chapadas de hoje em dia, a banda que gravou Blues contava com um vocalista de verdade, um batera até hoje apontado como influência em som pesado (e baita compositor também) e um baixista que sabia inserir groove verdadeiro no meio da pancadaria. Todas as músicas do disco têm um esmero instrumental impressionante, mas sem a frescura tão peculiar e contraditória do metal atual. Muito mais que seguir o esquema intro-verso-refrão, o Kyuss subvertia as estruturas da música popular, cagando montes pra necessidade de achar refrões ganchudos e congêneres. Aliás, as cinco músicas instrumentais espalhadas por seu segundo disco conseguem a façanha de serem alguns dos pontos altos da bolacha. Ouça Catterpillar March e tire a prova. Todo o trabalho perfeito dos instrumentos, no entanto, não tira o mérito de John Garcia, vocalista esganiçado-agressivo que, nas ocasiões em que aparece cuspindo seus impropérios, faz você entender por que o Kyuss não decidiu ser “só” uma banda instrumental.

É só pra encerrar a seção de comparações covardes; durante toda a audição do disco percebe-se que aqueles barulhinhos gravados lá no fundo nas músicas do QOTSA também não são tão novidade assim. Aliás, aqui eles ajudam a fornecer o forte tom psicodélico-do-deserto, que ficou bem mais acentuado nos álbuns seguintes do Kyuss, e são essenciais para completar o clima de Black Sabbath em jam psicodélica do disco.

Não que mude alguma coisa, mas o fato de que a banda alcançou tudo isso quando seus principais compositores ainda nem tinham chegado na casa dos vinte é de fazer muito músico por aí entrar em desespero. E nem pense em contar pra eles que Blues For The Red Sun foi considerado um dos 50 álbuns mais pesados da história pela revista inglesa Q. Se você é músico, foi mal. Se não é, baixe a bolachinha agora, ignore o que é “afinação baixa” e divirta-se enquanto tenta descobrir como bater cabeça e rebolar ao mesmo tempo…

[Nota pós-cagada: avisado por nosso excelso administrador, o sr. Lux Lúcio, tomei conhecimento de que este disco já havia sido postado no Depredando. Duas vezes. Sendo assim, vai também o resto da discografia dos minino pra não ficar muito feio.]

Wretch [1991]
DOWNLOAD: 87 Mb - 11 faixas


Blues For The Red Sun [1992]
DOWNLOAD: 89 Mb - 14 faixas


Welcome To The Sky Valley [1994]
DOWNLOAD: 90 Mb - 11 faixas


...And The Circus Leaves Town [1995]
DOWNLOAD: 90 Mb - 13 faixas

terça-feira, 13 de outubro de 2009

:: The Eames Era ::


THE EAMES ERA
Lounge Act, Woxy.com - 03/03/2006

Hoje, o Depredando é o blogue mais careta do mundo. Porque hoje não vamos depredar nenhum patrimônio público de uso coletivo. Não, nem mesmo escrever no banco do ônibus. Não vamos fazer nenhum pobre (pobre?) artista perder milhões de dinheiros por causa de um mais-ou-menos-bem-intencionado link. Ok, sem pânico: o download de hoje é LEGAL.

Pode parecer até que entramos na era dos “bom moços bem-intencionados” e só iremos, a partir de agora, espalhar a Palavra da Salvação em links aprovados pelo InMetro. A partir de agora, só domínio público, e aguardamos ansiosamente o dia em que o Katinguelê vai entrar nessa condição. Besteira! Adotamos todos os desdobramentos que a palavra nos permite pra falar sobre uma banda LEGAL, que tocou em uma rádio LEGAL, que disponibilizou um download LEGAL e também MUITO BACANA.

The Eames Era, banda natural do estado de Louisiana, EUA, começou em 2002 e lançou seu álbum de estreia em 2005, chamado “Double Dutch”. No ínterim, trabalharam com Eps e singles e ficaram famosos em rádios escolares por todo o país, tendo até mesmo uma faixa tocada em séries populares de TV, como Grey’s Anatomy. O som indie-pop que parece cuti-cuti / nheco-nheco, mostra-se “hard” no seu “core” e até mesmo sarcástico, diferente de pelo menos outras setenta e quatro bandas jovens e fofas que ostentam tais rótulos. Tudo isso e mais algumas mensagens trocadas via MySpace resultaram em um “Lounge Act” em 2006 pela rádio online Woxy.com, onde falaram sobre o início da carreira, turnês, uma van nova – perderam a antiga em um acidente durante os eventos do furacão Katrina – e, fizeram um barulho ao vivo.

Track listing:
Go To Sleep
Year Of The Waitress
- Interview -
Boy Came In
Could Be Anything
Dear Gabby

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

:: Casey Dienel ::


CASEY DIENEL
[ ENTREVISTA EXCLUSIVA ]
por Eduardo Carli

Começou como tietagem, e só depois virou jornalismo. Não é que o fanatismo, neste caso, trouxe seus bons frutos? Pois uma das benesses que trouxe a net foi ter facilitado tanto o fluxo de dados e a comunicação global que possibilitou algo inimaginável décadas atrás: que um latino-americano possa tietar, contactar e cortejar seu ídolo gringo, ainda que este esteja a milhares de quilômetros de distância - o equivalente hi-tech do "tirar uma casquinha"...

Casey Dienel foi a primeira artista por quem senti uma identificação, admiração e curtição suficientes para desejar entrar em contato, conhecê-la melhor, trocar idéias e impressões, dar um feedback repleto de gratidão, fazer-me reconhecer como um ouvinte atento, admirado, quase apaixonado... Depois de vários e-mails trocados, em que meus mimos e elogios foram recebidos com muita alegria e cortesia pela pequena, Casey topou me dar uma entrevista mais minuciosa - publicada, anos atrás, na capa da Revista Rabisco. Isso se deu um par de anos atrás, antes dela mudar seu nome para White Hinterland e lançar o segundo álbum; mas nada nas declarações dela soa datado. Pelo contrário: eis aí uma excelente key-hole por onde espiar um pouco da instigante e talentosa mente que criou dois álbuns tão lindos.

Poucos sabem disso, mas Casey Dienel, um dos segredos mais bem guardados da música americana, é uma das mais brilhantes e talentosas das cantoras/compositoras que surgiram nos últimos anos. A moça, que cresceu numa cidadezinha do Massachussets e depois se mudou para Boston para estudar música, foi uma criança de talentos precoces: tocava piano aos 4 anos de idade e beirando os já 10 compunha suas primeiras canções, trancada a sete chaves dentro do quarto, onde também se deleitava afundando o nariz nos livros. Não surpreende que uma garota que cresceu nutrindo um amor simultâneo pela poesia, pela literatura e pela música tenha se transformado numa artista de talento que transborda por todos os poros.

Wind-Up Canary (2006), seu álbum de estréia, lançado pela pequena HUSH Records, teve repercussão mínima dentro do circuito indie – o que é uma pena e constitui uma pequena-grande injustiça, já que o disco, absolutamente sublime e encantador, merecia ser recebido com uma salva de palmas mais intensa de público e crítica. Na linha de Regina Spektor, Aimee Mann e Fiona Apple, mas incluindo também influências mais ancestrais de Joni Mitchell e Chet Baker, a mocinha cometeu um álbum de doçura e poesia capazes de comover até os corações mais empedernidos.

Ainda com 20 e poucos anos de idade (ela é de 1985), Casey permanece ainda bastante obscura fora do circuito independente e vai lentamente galgando degraus rumo ao devido reconhecimento. Nesta entrevista exclusiva concedida por e-mail, a cantora narra um pouco seu passado como "criança prodígio", destaca sua paixão pela literatura e pela poesia, comenta a respeito do processo de composição das letras, pondera a respeito de seus planos para o futuro e sua relação com o sucesso comercial e a indústria da música, entre outras coisas. Voilá:


Eu: Conta-se que você começou a tocar o piano com 4 anos de idade e já estava compondo canções e escrevendo letras quando tinha 10 aninhos – e é impressionante que você tenha lançado um álbum como “Wind-Up Canary” com vinte e poucos anos! Você foi considerada uma “criança especial” que desenvolveu incríveis talentos bem cedo na vida? E seus pais desempenharam um papel grande no sentido de te direcionar a aulas de música e coisas do tipo, ou foi seu próprio amor precoce pela música que te levou a começar a tocar tão jovem?

CASEY: Se eu fui uma “criança” especial, eu nunca fiquei sabendo! Mas eu de fato penso que eu fui uma espécie de “sabe-tudo”, apesar de meus pais terem criado a mim e à minha irmã para sermos bastante auto-depreciativas e h
umildes em relação a assuntos como arte. Mas eu definitivamente não era uma criança-prodígio, e, pior, sempre fui bastante tímida... Então eu não costumava falar muito sobre os meus interesses – eu achava que escrever canções era como qualquer outro tipo de ofício que a pessoa cultiva privativamente... Eu sempre fui um tanto reservada, misteriosa. Fui às aulas por minha própria vontade quando eu tinha 4 anos – e eu me sentia realmente atraída pelo piano e pelo violão, mas o violão era grande demais para uma menina de 4 anos! E desde então eu acho que eu sempre fui bastante auto-motivada sobre música, em parte porque eu estou fazendo música para mim mesma, e não tanto para o público... A parte do público é uma das últimas coisas que eu penso quando me ponho a fazer música.


E: Li sua confissão de que você cresceu com “o nariz enterrado nos livros” – e adivinho que foi daí que você retirou seu grande talento com as palavras... Acho que uma das grandes qualidades da sua música é o fato de ela possuir um “sabor literário” - eu posso considerá-la quase como “declamação de poesia”... Você diria que sente mais carinho pela literatura do que pela música? E quais dos grandes letristas você diria que admira mais? Você lê bastante poesia e tem alguns poetas favoritos que descreveria como inspiradores?

CASEY: Estas são questões bastante extensas! Eu acho que a literatura é a mais elevada das formas das belas artes, e, na minha opinião, a mais desafiadora de ganhar domínio sobre. Eu desde muito nutro uma profunda admiração pelo modo como as palavras são encadeadas. Na escrita, você não pode apelar para os sentidos para criar imagens ou personagens ou histórias - você tem apenas a sua esperteza para evocar emoções e visuais. É como alquimia, o verdadeiro sentido de "criar alguma coisa do nada". Eu não diria que minhas canções são particularmente "literárias", mas eu realmente dedico um bom bocado do meu tempo para as letras, tentando criar imagens que são imediatamente visuais para o ouvinte, ainda que seja algo ou alguém que eles não estejam familiarizados com. Outros letristas que conseguem me transportar para outro tempo e espaço são provavelmente Leonard Cohen e Bob Dylan, mas eu também penso, em termos mais simples, nos Beatles.

Cohen e Dylan usam detalhes sem serem arbitrários, para aprofundar a pintura do retrato - ao mesmo tempo que criam incríveis melodias e estruturas de canção. Lennon & McCartney podiam pegar linguagem simples e revivê-la com uma idéia de sentido completamente nova. Eu acho que as canções dos Beatles são tão clássicas porque as letras são tão honestas e permitem que as melodias carreguem as músicas. Algumas vezes músicas só precisam ser músicas! E é importante ser cauteloso quanto ao que a música significa pra você, ao invés de tentar empanturrá-la com frases ou versos exóticos.

Quanto aos poetas, eu tenho um pouco de vício em relação a livrinhos e panfletos de poesia! Gosh! eu acho que meu favorito é o Frank O'Hara, apesar de eu estar passando por uma coisa grande com a Gertrude Stein... sem falar que um amigo meu acabou de me passar coisas do James Tate para folhear. Eu acho que o que me interessa atualmente são os ritmos sintáticos criados pela colocação de certas vogais/consoantes/sílabas lado a lado.

E: É fácil de notar, ao ouvir as suas letras, que você freqüentemente utiliza um monte de personagens fictícios, de um modo que me lembra um pouco o método de composição do Bob Dylan ou do Bruce Springsteen, diferenças postas de lado... Frankie e Anette, o Doutor Monroe, Baby James: de onde saíram todos esses personagens? Eles são puros produtos da sua imaginação ou são construídos com partes de pessoas que você conhece? Talvez alguns deles sejam pessoas de verdade? O que eles são: alter-egos, amigos imaginários, talvez fantasmas...? Fale um pouquinho dessas tuas “crianças”! :)

Casey: Eu aho que os personagens se originam de uma base de dados de observações pessoais cotidianas - coisas que eu noto em pessoas que amo ou pessoas que não conheço. Eles também têm a tendência de derivar de eventos ou lugares - acho que muitas vezes quando estou escrevendo sobre uma pessoa estou na realidade escrevendo sobre muitas pessoas ao mesmo tempo. Mas eu não tenho muita certeza sobre de onde eles vêm - algumas vezes certos personagens são imediatamente visualisados, outros precisam de tempo para serem filtrados e se materializarem fora da névoa da minha memória. Eu procuro não analisar demais isto, pelo medo de que um dia estas visões possam desaparecer! Eu não sei se você está se referindo a eles como crianças porque eu os tive nos passado - mas essa seria uma comparação adequada. Eu acabo vinculada e conectada a eles de um modo tal que é difícil pra mim separá-los de mim mesma. Eu unicamente tento "criá-los" de um modo que eles possam ficar de pé por si mesmos, e dar a eles o máximo que posso antes que eles sejam lançados para o mundo.

E: Falemos um pouco sobre os teus planos para o futuro. A música é realmente um projeto de longo-prazo pra você, ou seja, você tem a intenção de criar dúzias de álbuns e ter uma carreira que se estenda por décadas?

CASEY: Putz! Eu dediquei praticamente o ano todo para fazer outras coisas que adoro – pintar, cozinhar, fazer bolos e melhorar na bicicleta e na yôga. A música eu acho algo tão intrínseco ao modo como eu me viro na vida do dia a dia, que neste momento eu não vejo qualquer razão que me impeça de estar fazendo canções até a terceira idade. Mas o tempo algumas vezes tem outros planos em mente, e eu não tenho a menor vontade de arranjar briga com o tempo. Minha esperança é que eu possa continuar fazendo isso e que possa continuar a me perguntar as Questões Duras e Assustadoras. Eu realmente não tenho expectativas concretas – ideais de sucesso e coisas assim. Eu só me certifico de perguntar a mim mesma enquanto vivo: “você está feliz?” Se eu acabar sendo uma velhinha trabalhando numa livraria no Maine com um pequeno jardim de vegetais, não me sentirei decepcionada!

E: Li uma crítica (na Pitchfork) chamando suas letras de “nonsense espertinho” – se me lembro bem, você foi comparada com o Stephen Malkmus, o cara do Pavement. Isso te incomoda? Suas letras e versos são “repletos de sentido”, mesmo que alguns deles sejam claros somente para você, ou você acredita que há muito jogo de palavras e que você usa as palavras como “brinquedos”? Há realmente um pouco de “clever nonsense” aqui e ali?

CASEY: Eu me pergunto às vezes se é responsabilidade do escritor e do artista tornar tudo claro para o leitor – ou se um pouco de material nebuloso é saudável e nos lembra de pensarmos por nós mesmos. Falando geralmente, eu me enquadro nesta última categoria. Eu não me importo de me sentir desorientada se isso me faz questionar as coisas – e acho que como uma cultura nós deveríamos ser muito mais céticos e questionadores daquilo que as pessoas fazem ou dizem. Não sei se isso soa cínico – mas eu acho que é saudável questionar algo antes de você digerir e arquivar na tua enciclopédia mental. Nós devemos isso à nossa psique! Eu sugeriria a qualquer pessoa que questione qualquer coisa que eu digo, inclusive isso que estou propondo agora. O que é que eu sei?! Então será que é mesmo “nonsense espertinho”? No passado, eu acho que tinha sim muito mais linguagem arbitrária [nas minhas letras], palavras e expressões se concatenando simplesmente porque eu curtia o jeito como elas soavam ou como eu as sentia na minha boca. Atualmente eu tento conciliar esse prazer com algo mais coeso. Na minha experiência, uma canção pode ser sobre muitas e muitas coisas diferentes. Eu escrevo baseada em tópicos, mas também de um modo meio caleidoscópico. Então eu sempre sei sobre o que fala a música, e isso é tudo o que me importa, mesmo que seja a respeito de três eventos, pessoas ou lugares díspares que, quando listados numa página, conectam-se na minha mente para formar um quadro mais vasto. Seria uma extrema perda de tempo, energia e paz mental me deixar aborrecer e sair do sério por causa das interpretações que as pessoas fazem das minhas canções – eu aprendi a não levar a coisa tão pessoalmente. Enquanto eu sei das minhas intenções, me sinto ok.

E: Agora uma pergunta mais filosófica, talvez um tanto difícil de responder! Em algumas das suas letras, eu posso sentir uma espécie de “angústia”, talvez, em relação à passagem do tempo e ao fato de que a alegria sempre parece ser efêmera – a alegria e tudo o mais que existe, na verdade. Como quando você canta: “assim que nos acostumamos com uma estação ela se vai, e é somente com isso que podemos contar...” (em “Cabin Fever”), ou no lindo verso de “Better in Manhattan” que diz que “o paraíso é um lugar que se visita, mas não um lugar pra se morar”, ou mesmo no triste finalzinho de “Fat Old Man” em que você diz: “nada muda quando você se vai, tudo prossegue...”). Você realmente percebe o mundo como um “oceano de impermanência”, por assim dizer?

CASEY: Hmmmm... Bom, eu não diria que eu sinto qualquer sensação de “angústia” em relação à mortalidade. A mortalidade é a nossa verdade como humanos, e acho que a verdade nos libera de sermos só ‘alegres’ ou só ‘tristes’. Nós somos máquinas complexas, e frequentemente sentimos ambas essas emoções, tudo ao mesmo tempo, às vezes uma mais que a outra, mas eu considero quase impossível realmente separá-las. Não gosto de dissecar e esclarecer os sentidos das canções para os ouvintes – em parte porque eu fico realmente super curiosa para ver como os outros as interpretam! Eu coloco elas pra fora com esperanças de que elas se tornem mais do que somente canções minhas. Mas eu acho que apesar do tempo nos lembrar freqüentemente de que é ele quem está no comando, há uma boa razão que explica porque nós o marcamos com aniversários, feriados, festivais, estações etc. A transformação do mundo é bonita, mesmo que ele não seja permanente.

E: Apesar de não dar pra dizer que você escreve “canções autobiográficas” (do jeito que a Fiona Apple escreve, por exemplo), eu realmente sinto como se eu pudesse te conhecer muito bem depois de ouvir seu disco muitas vezes. Será isso uma ilusão ou será que essas músicas realmente podem servir como uma espécie de “portal para a sua alma”, um pequeno buraco na fechadura através do qual nós podemos desvendar ao menos um pouco de quem você realmente é?

CASEY: Eu tenho a tendência de me intimidar para longe do confessionalismo [I tend to shy away from confessionalism] – algo nele não se adequa muito bem à minha personalidade. Eu não me sinto como um livro aberto, talvez, e também não sou incrivelmente fascinante como pessoa. Minha vida no dia-a-dia é (não tanto...) chocantemente mundana. Minhas canções são veladamente autobiográficas, se o forem, mas eu hesitaria em dizer que existam quaisquer conclusões sobre mim como pessoa a serem tiradas depois de ouvi-las. Eu suponho que eu não sou realmente a pessoa certa para você perguntar esse tipo de coisa, mas eu não sei se é realmente possível realmente CONHECER um artista através de sua arte...

E: Estou curioso para saber um pouco sobre a repercussão da sua música fora dos Estados Unidos. Em quais países você diria que a resposta do público foi mais intensa e gratificante? E você já chegou a tocar ao vivo no exterior?

CASEY: Eu estou bastante alheia e ignorante a toda a resposta internacional. Ainda não toquei no exterior ainda, exceto no Canadá, embora eu esteja ansiosa para fazer isso no futuro. Eu realmente ainda não procurei como fazer tudo isso ainda, mas acho que a partir do próximo álbum eu gostaria de começar a viajar através dos oceanos. Eu recebo e-mails muito simpáticos da Escandinávia, e, é óbvio, do Brasil! Isso me faz divagar sobre como as pessoas descobrem sobre todos esses diferentes artistas! Eu sinto como se minha coleção de discos estacionou em 1979, e eu nunca sei quem é ninguém desses artistas novos, embora eu provavelmente deveria. Eu sequer ouço CDs! Tudo é em vinil pra mim. Eu vivo na Idade Média!

E: Você deseja se tornar uma cantora-compositora de alta vendagem ou está satisfeita sendo um tanto obscura, como um pequeno segredo que poucas pessoas compartilham?

CASEY: Eu não tenho a mínima idéia sobre como me sinto sobre o futuro – mas enquanto as coisas acontecerem de modo orgânico, vou estar contente. Não estou com pressa para chegar ao “próximo estágio” ou qualquer coisa que seja... Nem sei o que é isso. Eu nunca realmente me senti muito “romantizada” pela indústria da música. Eu respeito a necessidade que ela tem de transformar minha arte numa carreira – mas além disso eu acho que a indústria é um pouco superestimada, e isso é parte do porquê eu me rodeio com pessoas que estão fora dela. Talvez eu poderia ser mais ambiciosa, mas eu acho que estou muito mais preocupada com as músicas em si mesmas e em ser uma pessoa serena e feliz. Eu não me oponho a ter um público mais vasto ou poder me sustentar através da música, ao invés de trampar em [barista jobs] etc. Eu acho que eu tento não me concentrar muito nessas coisas – se acontecer, aconteceu. É que eu realmente não quero gastar meus 20 anos correndo por aí a ponto de não poder curtir meus amigos, família e vida cotidiana. Não vejo o sentido. A celebridade não chega nem perto de ser tão preciosa pra mim quanto estes três itens que citei. Pode soar sentimentalóide, mas é verdade!

E: Não posso resistir: vou fazer a famosa pergunta da Ilha! Quais são os 5 discos, 5 filmes e 5 livros que você levaria para uma ilha deserta para passar na companhia deles o resto da tua vida?

DISCOS:
1. Beatles—Revolver
2. Bob Dylan—Live at Albert Hall ’65
3. Joni Mitchell—Blue
4. Debussy String Quartet
5. Thelonious Monk- Monk’s Time

FILMES
1. Five Easy Pieces (Vi pela primeira vez outro dia, e acho que nunca vou conseguir me cansar dele! Parece simples no começo, mas é repleto de complexidade na essência!)
2. Harold and Maude, de Hal Ashby
3. qualquer dos curtas-metragens mudos do Buster Keaton (para serem assistidos ouvindo o disco do Thelonious Monk!)
4.
Annie Hall – Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de Woody Allen
5. My Fair Lady, de George Cukor

LIVROS

1.
Beneath the Wheel do Herman Hesse
2.
A Insustentável Leveza do Ser do Milan Kundera
3. I Capture the Castle do Dodie Smith
4. O Tambor do Gunther Grass
5.
Chez Panisse Cooking da Alice Walters (Eu sei que parece doidice, mas eu adoro ler sobre comida quase tanto quanto curto comê-la! Esse livro de receitas é clássico.)


E: Algumas vezes eu suspeito que vocês artistas possam ficar bravos com os entrevistadores quando eles não perguntam aquilo que vocês gostariam de responder... Então vou propor um pequeno jogo bobo: faça uma questão a si mesma e a responda!

questão: Quando você se sente mais inspirada e feliz por estar viva?
resposta: Nos primeiros momentos da manhã ao nascer do Sol – a luz me faz desejar estar de pé e cantando. É luminosidade inadulterada – nova e um tanto insegura de si mesma, mas que se espalha sobre tudo até você sinta como se estivesse vendo o mundo pela primeira vez. Isso me faz cair apaixonada mais uma vez [It makes me fall in love all over again].

: D

myspace

DOWNLOADS:

Wind-Up Canary (2006)
http://www.mediafire.com/?mcyo1roz3wh


Phylactery Factory (2008)
http://www.mediafire.com/?v421ymmgdtc

terça-feira, 6 de outubro de 2009

:: PET SOUNDS VOL VI ::


:: Sons de Estimação ::
Pedro Rubiano (o da mão), vocalista da MALTS

Você, meu caro amigo, que foi um adolescente noiado por rock and roll nos anos 90 vai entender o que estou falando. Sair das fraldas vendo o Guns e todo aquele rock farofa dominar o planeta, achar que o mundo acaba no suspiro de "Patience", pra logo depois descobrir os primeiros pentelhos ao som de Nirvana. Gastar a camisa xadrez no calor tropical brasileiro como se fosse sunga ou maiô, pra então perceber que as coisas vão além do quatro por quatro. E vão, num rewind e foward maluco, além do que se ouve hoje, ontem e amanhã. Daí aprender a gostar de Chili Peppers antes de decorar a discografia dos Beatles.

Por essas e outras, falar da MALTS é um pouco como falar da minha trajetória musical nesses anos de linda juventude. E, nesse momento em que a banda trabalha numas musiquetas bem das boas, é que convidamos o vocalista Pedro Rubiano para deixar aqui seus Sons de Estimação. Bora lá! E, além de conferir a lista de responsa do rapaz, vale ouvir as gravinas da banda em www.malts.com.br – em breve, disponíveis para download.

1. I Am the Walrus – The Beatles: “uma canção que reúne os elementos do rock and roll... Pelo menos pra mim: liberdade, beleza e uma pitada de agressividade e loucura”

2. Black Hole Sun – Soundgarden: “toda lista tem que ter uma balada, hehehe. Essa é a minha”


3. The Weapon And The Wound – Days Of The New: “lindo som...pesado, embora executado sem guitarras”

4. Sometimes – Pearl Jam: “Gilberto Gil escreveu uma música chamada ‘Se eu quiser falar com Deus’. Quando eu quero, escuto ‘Sometimes’”

5. The Killer Inside – Better Than Ezra: “música que me traz boas lembranças. Lindamente gravada”
6. Helter Skelter – The Beatles: “uma música que diz ‘you may be a lover but you ain’t no dancer’ já tem seu lugar garantido”

7. Serve The Servants – Nirvana: “primeira faixa de um disco que sucede o monstro que foi Nevermind. E o primeiro verso diz ‘a revolta adolescente pagou bem...agora eu estou velho e entediado’. Para poucos”

8. Present Tense – Pearl Jam: “uma música quase que sem forma. Excepicional”

9. A Day In The Life – The Beatles: “talvez a canção mais legal da História”

10. Happy Pills – Candlebox: “se conseguir ficar parado ao ouvir esse som…”

11. Level – The Raconteurs: “minha canção de estimação da melhor banda que apareceu nos últimos tempos”

12. The End – The Doors: “para fechar, um som que realmente tem a característica ‘traveling without moving’”

Agora viaje você.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

:: da série PÃO QUENTINHO ::

FLAMING LIPS - Embryonic




MOUNT EERIE - Wind's Poem
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KRIS KRISTOFFERSON - Closer to The Bone
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GIRLS - Album
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domingo, 27 de setembro de 2009

:: Hitsville USA - especial MOTOWN ::


:: MOTOR DA ALMA ::

- O "som da América Jovem" do início dos anos 60 era pop com refrões ganchudos, rebeldia zero e disciplina militar. Assim, a Motown levou a música negra ao topo das paradas -

por Sérgio Martins
(*)


Alfred Hitchcock costumava dizer que atores deveriam ser tratados como gado. Na visão do cineasta inglês, valia a pena fazer o elenco de gato e sapato, desde que esse exercício de tortura rendesse um grande filme. Berry Gordy Jr., criador e presidente da Motown, nunca deu pistas de que o mestre do suspense fosse seu diretor predileto, mas soube como poucos aproveitar sua filosofia de trabalho. Gordy fundou uma companhia de discos com regras rígidas para que o "gado" (ou mehor, seus artistas) produzisse muito em troca de tostões. Se Hitchcock criou um estilo próprio de direção, Gordy inventou - ou melhor, se apropriou - do que se convencionou chamar de "Motown Sound".

Desenvolvido por músicos tarimbados nos diminutos estúdios da companhia, o som da Motown tinha características únicas. A bateria e o baixo flanavam acima dos outros instrumentos e qualquer resquício de rhythm'n'blues era varrido para baixo do tapete. Gordy, ambicioso como ele só, queria que os discos de sua gravadora fossem comprados também pelo público branco americano. O refrão tinha de ser ganchudo - e, nessa hora, o volume do baixo e o da bateria caíam assustadoramente. A intenção era fixar a frase no cérebro do ouvinte. Tudo isso executado em no máximo 3 minutos, com letras que tratavam de temas banais, como paixonites e namoricos.

Gordy acreditava que letras do gênero "contra tudo que está aí", como a dos cantores de protesto, deixariam a canção datada. E "Please Mr. Postman" foi a primeira cria de Gordy a alcançar o sucesso planejado. Gravada pelo trio vocal The Marvelettes, a canção entrou no 1º lugar no hit parade dos EUA em dezembro de 1961 - a música repetiria o feito dois anos depois, com os Beatles, e, em 1975, ao ser coverizada pelo duo vocal Carpenters. Com seus 2 minuots e 29 segundos, a faixa mostrou como Berry Gordy Jr. iria ditar as regras da música pop dos Estados Unidos nas duas décadas seguintes.



GORDY, O ERRANTE

Dois anos antes do grande feito das Marvelettes, Berry Gordy Jr era o que se poderia chamar de caso perdido. Nascido em uma família de classe média baixa que se mudou para Detroit a fim de prosperar com a indústria automobilística da região, Gordy desde cedo mostrou que os estudos não eram sua prioridade. Preferia ganhar dinheiro em jogos de azar, que era gasto generosamente nas casas de tolerância da região. Gordy também era pouco afeito ao trabalho. Reza a lenda que ele foi funcionário da Ford - sim, por um dia o futuro dínamo da indústria de discos suou o macacão na fábrica de automóveis. Mas logo percebeu que não era talhado para o cargo. Entre trabalhar como boxeador e a música, acabou abrindo uma loja de discos de jazz. Faliu em poucos meses. Tentou a carreira de compositor. Ele criou hits para o cantor de rhythm'n'blues Jackie Wilson e para a diva Etta James. Faturou alguns cobres, devidamente torrados com prostitutas e outras garotas.

Não à toa, quando armou uma reunião em família para pedir um empréstimo de 800 dólares para montar seu "próprio negócio", Berry Gordy Jr. foi tratado com a mesma desconfiança dispensada a um dirigente do futebol brasileiro. Seus pais e familiares acreditavam que o investimento iria para o ralo. No entanto, Gwen e Anna, duas das irmãs do encrenqueiro, insistiram para que a quantia fosse emprestada. Como garantia, se propuseram a trabalhar ao lado dele para que o irmão mais novo não tentasse nenhuma gracinha.

Os primeiros artistas a bater às portas de Gordy foram os Miracles. Para sermos mais precisos, eles se chamavam The Matadors e um ano antes do pedido de empréstimo apareceram na editora musical onde Gordy trabalhara. Os proprietários da editora mandaram os rapazes passear. Gordy, a princípio, ficou atento ao corpo ajeitadinho da vocalista Claudette. Depois descobriu que ela namorava o matador-líder - um rapazote de 17 anos chamado William Robinson. E mais, detectou talento no rapaz. Os colegas de William o chamavam de Smokey (algo como "enfumaçado") por causa da pele clara e dos olhos verdes.

Robinson vinha de uma vizinhança que era considerada a "Beverly Hills dos bairros barra-pesada de Detroit". Sua vida pessoal era atribulada. O pai largou a família quando ele tinha 3 anos e sua mãe morreu de câncer no cérebro. Ao conhecer Gordy, muito mais do que um empresário e amigo, Smokey ganhou uma figura paterna. Gordy o encorajou a escrever, deu pitados em suas letras e não só contratou os Miracles como colocou seu líder no posto de diretor artístico da nova gravadora. A contratação de Smokey Robinson foi a primeira prova do fato de Berry Gordy Jr para descobrir talentos. Smokey tinha um registro vocal raro (sua inflexão de tenor raramente conseguiu ser copiada) e criava letras maravilhosas sobre temas banais. Uma simples história de um rapaz que amava a garota que o desprezava virava ouro graças às letras e à voz afinada de Smokey.


Gordy batizou a empresa de Tamla Motown. Tamla era uma corruptela de "Tammy", sucesso da cantora e atriz Debbie Reynolds. Motown veio de "Motor Town" (Cidade dos Motores), apelido de Detroit. Gordy comprou um sobrado no número 2648 da West Grand Boulevard, em Detroit, e chamou o lar de Hitsville U.S.A. Acredite ou não, a comunidade artística da cidade apareceu em peso para oferecer seus préstimos. David Ruffin, mais tarde vocalista principal dos Temptations, pintou as paredes do estúdio da sede. O cantor Barrett Strong e o trio de compositores Eddie Holland, Lamont Dozier e Brian Holland também rodeavam a área.

"Money (That's What I Want)" foi a primeira música composta, tocada e produzida na Hitsville USA. A abanda da casa foi recrutada nos clubes de jazz de Detroit (o grupo seria batizado mais tarde de Funk Brothers). (...) As sessões de gravação do hit duraram dias, o que fez Gordy se perguntar se estava no caminho certo. Na verdade, foi tudo um capricho do destino. A canção entrou na 2ª posição da parada de r&b e pavimentou os caminhos da Motown.


CONTO DE FADAS

Às vezes, tem-se a impressão de que a história da Motown foi um conto de fadas, em que artistas de talento indiscutível batiam às portas de Hitsville U.S.A. e imploravam por uma chance. Porém, o que mais um garoto negro de Detroit poderia fazer senão arriscar um emprego numa gravadora de rhythm'n'blues? Foi assim que dois grupos vocais, The Primes e The Distants, uniram-se e montaram os Temptations. (...) Gordy contratou o grupo e o deixou sob os cuidados de Smokey Robinson. (...) Depois de três anos sem sucesso, em 1964 obinson criou "The Way You Do The Things You Do" - canção que entrou no primeiro lugar da parada r&b. No ano seguinte, foi a vez de "My Girl", que alcançou a primeira colocação na parada americana em 6 de março de 1965. A parceria iria render outras 36 canções entre as dez mais. Já os Four Tops foram empurrados para o outro trio de compositores - Holland, Dozier, Holland.


As Primettes eram quatro meninas, fãs dos Primes, que também sonhavam com uma carreira artística. Diana Ross, Mary Wilson e Florence Ballard caíram nas graças de Gordy (em especial Diana, que virou amante do chefão). Entretando a aoposta de Gordy demorou a deslanchar. O trio passou 4 anos amargando piadas infames de seus companheiros de companhia - eles as chamavam de "No-Hit Supremes" porque eram incapazes de frequentar as paradas. Reza a lenda que o presidente da Motown trancou o trio de autores - Holland, Dozier, Holland - numa sala e o obrigou a criar uma canção de sucesso para suas prediletas. O resultado teria sido quatro músicas no 1º lugar da parada - "Where Dir Your Love Go?", "Baby Love", "Come See About Me" e "Stop! In The Name of Love". Além de tirar a uruca que pairava sobre o trio, o êxito coroou Diana Ross como rainha da companhia. Gordy ordenou que ela cantasse todas as vozes principais das Supremes. A Wilson e Ballad cabia apenas a função de responder "baby, baby" ou "oohh, oooh".

CAÇA-TALENTOS

Mary Wells e Martha Reeves eram duas garotas que imploravam para ser ouvidas pelos executivos da companhia. Pedido atendido: ambas viraram estrelas. No Natal de 1960, Gwen Gordy obrigou Berry a contratar um rapaz que rodeava a vizinhança de Hitsville USA. Seu nome? Marvin Gay (ele adicionaria o "e" ao sobrenome por razões um tanto óbvias). Gaye também tinha outros motivos para rodear a casa da Motown. O cantor estava saindo com Anna, irmã mais velha de Gordy. Nascido em Washington, Marvin Gaye foi uma das figuras mais sombrias da história da Motown. Para desespero do pai, que era pastor (mas não se furtava em passear com roupas de mulher após os cultos), ele seguiu carreira como cantor de rhtyhm'n blues, gênero musical considerado profano. Portanto, papai (ou mamãe, dependendo do dia) nunca perdoou a opção do filho.

O próprio Marvin Gaye tinha dúvidas a respeito de seu talento. No fundo, ele queria se tornar um crooner de jazz, no estilo de Frank Sinatra. Mas Berry Gordy o contratou e, a princípio, o colocou como músico de estúdio - Gaye toca bateria em "Please Mr. Postman", das Marvelettes, e "Fingertips", de Stevie Wonder. Depois, o deixou aos cuidados de seus produtores.

A Motown realmente atraía grandes talentos. Certa vez, Mickey Stevenson, executivo da companhia, entrou esbaforido no escritório de Berry Gordy: "Você tem de ver esse garoto", disse. Gordy desceu até o estúdio de Hitsville USA e topou com Ronnie White, um dos vocalistas de apoio dos Miracles, ao lado de um menino cego. O garoto, na época com 11 anos, sabia tocar gaita, bongô e tinha boa voz. Seu nome era Steveland Morris. Gordy o chamou de Stevie e adicionou o apelido Wonder (maravilha).

Terceiro de uma família de 6 irmãos de Michigan, Steveland Morris ficou cego por causa de um acidente tolo: a enfermeira da maternidade emq ue sua mãe o deu à luz o deixou tempo demais na incubadora. A falta de visão, contudo, nunca atrapalhou seu bom humor. Pelo contrário, Stevie até fazia piadas a respeito disso. Uma de suas diversões prediletas era adentrar nos estúdios no meio de uma gravação. Dizia que não tinha visto a luz vermelha indicando que a entrada era proibida. Stevie pedia para que alguém mais próximo descrevesse como era a roupa que determinado músico estava usando. Depois, aproximava-se do infeliz e descrevia cada detalhe da vestimenta. Na adolescência, já com os hormônios em ebulição, Wonder se fartou de tocar os seios das funcionárias da companhia - depois, na maior cara-de-pau, pedia desculpas pela indiscrição.

Nesse conto de fadas, Berry Gordy Jr. era o príncipe encantado, mas também fazia o papel de bruxa má... Nenhum artista da Motown ficou rico, apesar de tantos sucessos na parada. Gordy os mantinha sob contratos leoninos, em que pagava salários semanais e ficava com a parte do leão. Qualquer gasto adicional de estúdio, roupas e bebidas era debitado na conta do astro. Os Funk Brothers perderam milhões em direitos autorais, pelo prosaico motivo de não serem creditados nas capas dos discos. Martha Reeves se surpreendeu ao deixar a companhia e descobrir que até o uso de seu nome estava registrado como propriedade de Berry Gordy Jr.

Por outro lado, os cuidados da Motown fazia com que os artistas tivessem aulas de boas maneiras (muitos deles nem sequer sabiam comer de garfo e faca), de dança e de como dar entrevistas. Muitos astros que se queixaram da roubalheira da Motown fracassaram depois de sair da companhia. Mandinga de Berry Gordy? Não, eles simplesmente perdiam o toque mágico.


BURRADAS

Após o sucesso de "Please Mr. Postman", Berry Gordy e a Motown se tornaram nomes consagrados nos Estados Unidos e no resto do mundo. Dali a pouco, ele recebeu o telefonema de um executivo da Capitol Records. O sujeito dizia que os Beatles queriam gravar três hits da companhia em seu segundo LP britânico - "Please Mr Postman", "You Really Got a Hold On Me" (de Smokey Robinson) e "Money (That's What I Want)". O único entrave é que Brian Epstein, empresário dos ingleses, queria pagar apenas metade dos royalties das canções. Gordy disse não. Aí, como diria Chico Buarque, ao saber de tal heresia, a cidade em romaria foi beijar as mãos de Gordy. Smokey Robinson chorou, dizendo que a mulher estava grávida e que a grana dos ingleses viria a calhar; os executivos da Motown queriam internar o próprio presidente. Gordy, então, cedeu. E fez uma bela burrada: poucos meses depois de ter concordado com o achaque de Epstein, os Beatles eram o grupo mais famoso do planeta e seu Second Album chegou às principais redes de lojas de discos dos EUA. Se ele insistisse em sua proposta, talvez Smokey e alguns privilegiados da Motown estivessem hoje mais ricos.

A segunda fase da Motown entrou em vigor ainda nos anos 60. Um monte de astros foi substituído (Florence foi demitida das Supremes, Holland-Dozier-Holland queriam melhores salários e receberam cartão vermelho), outros apareceram (entrou Norman Whitfield para trabalhar com os Temptations, Gladys Knight trouxe os Jackson Five) e, no final da década, Gordy mudou a sede de Detroit para Los Angeles. Foi lá que Marvin Gaye e Stevie Wonder iniciaram suas fases mais ousadas, com clássicos como What's Going On e Talking Book. Contudo, Gordy, seduzido pela indústria do cinema, perdeu muito dinheiro.

Recentemente, um telefilme baseado na história dos Temptations bateu o Parque dos Dinossauros em audiência na TV. Há alguns anos, o documentário Standing In The Shadows of Motown concorreu ao Oscar de sua categoria. A Motown é eterna - assim como os filmes de Hitchcock.

* texto extraído da História do Rock Vol. I da Bizz - 1936-1963 - pgs 70-77)


DOWNLOADS:


Hitsville U.S.A. - The Motown Singles Collection (1959-1971)
- caixinha de 4 CDs com os grandes hits da "fase de ouro -

Disco 01: http://www.mediafire.com/?ni4j0no4cqk
Disco 02: http://www.mediafire.com/?1gty2hjmnmm
Disco 03: http://www.mediafire.com/?yiom5kmfdzd
Disco 04: http://www.mediafire.com/?ziozmkuj0fg


Documentário: Standing In The Shadows of Motown
diretor: Paul Junkman
Download do DVD (3.5 GB) no piratebay

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

:: Bolo!!! ::


CAKE
... e a arte de ser esquisito
por Francine Micheli


Certas bandas parecem ter sido criadas para levar o carimbo de favoritas pra sempre. Assim, instantaneamente e com força, CAKE é uma dessas aí e a receita do bolo é curiosa: bom humor, ingenuidade, róquenrol e um trompete preguiçoso que se mete em tudo.

Parece que foi ontem que uma versão doida de "I Will Survive" rolava por aí nas rádias. Sem lantejoulas, Vincent Di Fiore e seus comparsas mandaram ver cantando a dor de quem descobriu que o ser amado era um bosta. A música tornou a banda mais conhecida em 1996 (ela tá na estrada deste 1991) e trouxe uma esperança aos que não aguentavam mais o grunge empesteando a década de noventa.

A banda californiana então pegou a veia da coisa: muitas letras non sense e aparentemente infantis com a mistureba de ska, country, jazz, rap e pop (tudo com trompete no meio) fez com que o vocalista John Mc Crea criasse um jeito peculiar de cantar: muitas vezes ele recita a letra nas músicas. Tudo isso foi suficiente para classificar o CAKE como rock alternativo, não?

Lançado em 1998, o disco Prolonging the Magic traz preciosidades como a grooveada e mau humorada "Sheep go to Heaven". No mesmo álbum, "Satan is my Motor", que não tem nada de diabólica é, digamos, uma coisa fofa. Ah, a famosa e carentona "Never There" está lá também.

O ponto forte da banda e o recheio do bolo é a unidade, o que possibilitou que os músicos viajassem por diferentes estilos e experimentalismos sem nunca perder a personalidade.

A mesma coisa aconteceu com o trabalho seguinte, Comfort Eagle, que trouxe uma dosezinha de elementos eletrônicos, como em "Meanwhile, Rick James...". Mas isso não tirou as levadinhas de guitarra que botam a gente pra dançar e trouxe até mais brilho à voz inconfundível de Mc Crea.

Pra dar um break, em 2007 lançaram uma coletânia de raridades e b-sides incendiários, que traz um cover não menos nervoso de "War Pigs", do Black Sabbath e mais: pra dar uma sofisticada na coisa, enfiaram versões de Frank Sinatra e Barry White na parada, com "Strangers in the Night" e "Never, Never Gonna Give You Up".

Particularmente, o som do CAKE serve pra colocar qualquer um pra cima e o mais legal é que eles resistiram à saída de vários integrantes (seis no total). Além de tudo os caras são engajados e sempre divulgam a importância da consciência ambiental e política, seja nos shows - onde eles presenteiam os fãs com mudas de árvores - ou pela internet a fora. A outra grande sacada foi criar dentro do site deles um espaço para que os fãs se comuniquem para dividir o transporte para irem até os shows! Eles não são mesmo uns bacanudos?

Parece que agora a banda deu um tempo nas apresentações (que infelizmente se concentram mais nos EUA e Canadá - damn it!) e estão pra lançar um novo cd ao vivo.

E por enquanto a gente aqui fica chupando o dedo... só sentindo o cheirinho dessa próxima fornada.

Baixa aí:







terça-feira, 22 de setembro de 2009

:: da série PÃO QUENTINHO ::

ALICE IN CHAINS - Black Gives Way To Blue
http://www.mediafire.com/?nmnynoyo2im


MONSTERS OF FOLK - idem

domingo, 20 de setembro de 2009

:: subway ride! ::

:: ROLÊ DE METRÔ - VOL. IV ::
Rock Is Dead - My Ass!

seleção: Eduardo Carli

O garimpo é de judiar os ossos. Emerjo dele imundo e mau-pago feito um personagem de Germinal. Mas a recompensa é saber que trago em mãos algumas pérolas do subsolo. E são elas que largo aí, de graça, para os transeuntes deste empreendimento depredatório. Para provar que são pura lorota as teses de que não existe róque que presta na terra do Carnaval, que no Rio só vigora o pancadão e que Goiânia é a terra do sertanojo, taí o mais novo Rolê de Metrô.

Nele, pela quarta vez (um, dois, três!), compartilho alguns sons nacionais que chamaram minha atenção ultimamente: tem o surf rock maníaco dos Dead Rocks, o chapadaço barúio gaúcho dos Irmãos Rocha e algumas garagices sublimes de Goiânia com o Black Drawing Chalks (Queens Of The Stone Age copula com Thee Butchers Orchestra), o Rockfellers (Tyler Durden is alive and well!) e o Bang Bang Babies. Rola ainda glam rock carioca com o Cabaret e emocore paulistano firmeza com o Banzé.

Trago ainda uma das mais fodásticas bandas da nova cena do Recife, o AMP, que acaba de lançar seu impressionante debut, Pharmako Dinamica, e duas bandas de Brasília - Sapatos Bicolores e Bois de Gerião - que comparecem com uma sonoridade caindo pro ska e pra new wave. Enquanto isso, o Rollin' Chamas faz uma celebração à la AC/DC do rock and roll, contando como derrubaram a casa com excesso de barulho. Pra finalizar, acompanhamos as "viagens" rocker do The Name, que já entrevistamos por aqui tempos atrás.

Agradecimentos (fora aos sempre solícitos MySpace e Trama Virtual) aos blogs Hominis Caninae e Glorious Indie Rock'n Roll por descolarem tantas boas bolachinhas e possibilitarem o rolê garimpístico! Dicas de bandas indie bacanudas, gritem nos comments!

Rock Is Dead... My ass!


TRACKLIST:

01 - The Dead Rocks (SP) - Themme For Rock is Dead (2:00)
02 - Irmãos Rocha (RS) - Anestesia (1:44)
03 - Black Drawing Chalks (GO) - My Favorite Way (3:42)
04 - Cabaret (RJ) - Messias Pessoal (4:14)
05 - The Rockefellers (GO) - Fight Club (3:44)
06 - Banzé (SP) - Antes da Queda (3:58)
07 - Bang Bang Babies (GO) - Going Down (3:25)
08 - AMP (PE) - Acidez (sinestesia) (3:27)
09 - Rollin' Chamas (GO) - O Dia em que a Casa Caiu (3:06)
10 - Bois de Gerião (DF) - Fidelidade (3:30)
11 - Sapatos Bicolores (DF) - A Cobrar (4:44)
12 - The Name (SP) - Assonance (6:11)

DOWNLOAD
(55 mb, 43 min):
http://www.mediafire.com/?zid2mluizn4

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

:: Soulzé ::


Rage Agreste

– Por Marco Souza –


"...uma mistura de indie-rock com eletro e um tiquinho assim

desse tamanin assim de carimbó."

Wallace


A primeira vez que ouvi esses negos ao vivo, meados de 2002 ou 2003 em Bauru-SP, logo pensei "porra! esses caras são o Rage Against do sertão!" o que influênciou para logo batizar minha banda cover da Rage. Pegada nervosa misturando guitarra, flauta, percursão e sons eletrônicos. Tudo ali idealizado e executado pelos, como eles se definiram, "7 cabeças chatas" do Ceará.


O disco em questão, produção independente do próprio SoulZé e primeiro trabalho da banda, logo mostra ao que a rapaziada veio: misturar da melhor forma possível rock, funk, ritmos brazileiros, groove, eletrônico e "outras pilantragens". Apesar da boa produção do disco, ele não faz jus ao choque de escutá-los ao vivo, como também é o caso do Móveis Coloniais de Acajú.



Soulzé já tem 12 anos de trabalho e (para minha surpresa) é pouco conhecido no meio musical. Nasceu com o boom do movimento manguebeat liderada por Chico Science & Nação Zumbi, Mundo Livre S/A, Eddie e cia.


Vamos ao disco. Porradaria com percursão, distorção regional e scracths em Mandacaru, segunda faixa, já demonstra o cuidado que eles tem na construção da textura sonora. Uma Tocaia cresce até se transformar em Arrancando Estaca, um dos pontos altos do CD, instrumental nervoso com mix de Tom Morello e Lúcio Maia. "Eu vou mostrar pra vocês como se dança o Baião e quem quiser aprender é favor prestar atenção" Abre a roda pra um baião com direito a porradaria. O clima de ficção científica encontra o drum'n'bass e dá as caras em O Encontro Insólio De Soulzé Com Et Abbdia, sampleando uma gravação (genial!) sobre a divulgação de um caso de experiências genéticas feitas por alienígenas nos moradores da cidade de Quixadá, interior do Ceará. De praxe não poderia faltar um samba-rock(-funk), a faixa de protesto País Nordestino. Até riff grudento encontramos em Pagode Russo. E músicas como De Quem É Essa Terra ainda agrada àqueles que procuram mais peso.


Há algum tempo procuro por shows, discos e mp3s da banda e não tenho sucesso. Lembrei que no show de Bauru um amigo comprou o CD e pedi pra ele ripá-lo. Raridade de qualidade. Um dos grande álbuns nacionais da década.



DOWNLOAD - 16 músicas - 70 MB


sábado, 12 de setembro de 2009

:: Pearl Jam ::

A maior banda de rock deste post
- Bernardo Santana -

Trabalho ingrato evitar a pagação de pau. Quando uma banda de 15 anos faz isto aqui, é de se imaginar que toda e qualquer lenha criativa tenha se queimado finalmente. Foi o que eu achei que iria acontecer com o Pearl Jam quando a banda lançou seu disco homônimo em 2006: um material tão bom (mas diferente do que eles já tinham feito de bom antes...), que me fez pensar que era impossível eles se superarem dali em diante. E deve ter sido a conclusão a que eles chegaram também!

Senão, por que esse Backspacer agora? Não um disco melhor que Pearl Jam, mas tão bom quanto, em vários momentos. E o melhor, bem diferente do seu antecessor. Cabem ao trabalho até alguns adjetivos que não devem ter sido usado muito nas resenhas de nenhum de seus discos anteriores: feliz, engraçado, otimista, influenciado por new wave (ok, esse eu não entendi, mas li por aí então repasso).


O Pearl Jam não é mais nenhuma banda de adolescentes já faz um tempo, mas várias músicas de Backspacer podem fazer alguém se enganar. Gonna See My Friend abre os trabalhos chutando bundinhas incautas e remetendo aos momentos mais punks da banda, lá pelo meio da década de noventa. E as duas faixas que se seguem não dão descanso: Got Some tem mesmo algo que todo mundo precisa de vez em quando, como diz a letra, e The Fixer — o single safado feito pra chamar atenção mesmo — conserta a imagem de banda carrancuda de alguns momentos do passado. Sem esquecer de apresentar um dos refrões mais legais dos caras.

Depois dessa trinca certeira, o ouvinte fica meio rendido pra o que vem depois, que apesar de não manter o mesmo pique (menção honrosa a acelerada e hit certo Supersonic), mais que honra o legado da banda até agora, incluindo aí a bolacha solo de Ed Vedder, trilha do filme Into The Wild. Just Breath, por exemplo, poderia ter sido gravada naquele disco e é uma ótima amostra de como o vocalista compensa qualquer limitação técnica com um alcance emocional sincero sem paralelo na música pop de hoje.

Em resumo; 19 anos depois de começar a tocar, o Pearl Jam fez (mais) um disco perfeito pra quem não conhece a banda começar a ouvi-la. Não é nada a toa que eles tem uma legião de fãs também bem rara na bagunça da música popular planetária. Um disco de 36 minutos — o mais curto da trajetória deles — que parece ter sido feito por um bando de moleques na urgência de pegar seu lugar no sol. Um disco tão bom que até legitima um clichê destes!

Como eu disse, trampo de corno deixar de pagar pau, então não vou nem tentar. Backspacer vale a pena ser comprado umas três vezes. Faça esse favor pra sua estante, mas enquanto isso, baixa aí embaixo o danado.


DOWNLOAD: 76 Mb - 11 faixas

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

:: Joãozinho Bufunfa ::


:: JOHNNY CASH & JUNE CARTER ::
Duets (2006)
por Flávio Austriaco

Se ele fosse um carpinteiro, e ela fosse uma dama, casariam-se mesmo assim? Ele, afinal, levava nas costas a alcunha de “bad boy”, bronco nas atitudes e ríspido nas palavras – cantava em presídios sobre assassinatos e foras-da-lei. A dama em questão era dotada de bela voz e entretia platéias com seu bom humor. Apesar de ambos serem casados com outras pessoas à época em que se conheceram, no começo dos anos 1950, Johnny Cash e June Carter fizeram jus às letras de suas músicas em 1968, quando aderiram ao matrimônio, dessa vez mutuamente.

Dali, muita coisa saiu – dizia Cash que June salvou sua vida ao convencê-lo a abandonar seus vícios, e passou a falar mais de amor nos duetos que fariam por quase todo o resto de suas vidas, juntos nessa coletânea de 2006. Amor, segundo Bob Dylan e ao estilo de Johnny Cash: “go away from my window / live at your own chosen speed / I’m not the one you want, babe / I’m not the one you need”. Não bastasse, tragédias: “oh, what a good thing we had / GONE BAD” – e de verdade mesmo em 2003, quando ambos “gone bad”, se me é permitida adaptação da expressão, com diferença de apenas quatro meses. Três anos depois, “Duets” foi lançado: disco que transcende o rótulo preconceituoso de coletânea e representa, pelo menos com simbólico sucesso, os Carter Cash felizes e cantantes e bons.

:: da série PÃO QUENTINHO ::

BRENDAN BENSON - My Old Familiar Friend
http://www.mediafire.com/?cmm4gyzbjuz


MUSE - The Resistance
http://www.mediafire.com/?jnjwamt12d1



SONDRE LERCHE - Heartbeat Radio
http://www.mediafire.com/?ynzo1algzte


MUTANTES - Haih... ou Amortecedor
http://www.mediafire.com/?zloynmw3dny



THE BLACK CROWES - Before The Frost
http://www.mediafire.com/?m5imbwyzzyy


THE BLACK CROWES - Until The Freeze
http://www.mediafire.com/?icjzjhne2ru

terça-feira, 8 de setembro de 2009

:: os álbuns da década ::


:: THE WHITE STRIPES ::
White Blood Cells (2001)
por Eduardo Carli

Eles me fizeram encarar mais de 20 horas de viagem (somando ida e volta), apertado numa van com mais umas 10 pessoas, quando foram escalados como headliners do primeiríssimo TIM Festival, em 2003, no MAM carioca. Sinal de que minha fissura pela banda, naquela época em que Elephant era alvo de intenso hype mundial, estava parecendo a de um junkie por sua droga de preferência. Quando eu e o Bernie nos metemos a enfrentar os mais de 750 quilômetros que separam Bauru do Rio de Janeiro, num bate-volta de esgotar os ossos de qualquer mortal, esse ato tresloucado era uma confissão do quanto o White Stripes era uma banda extremamente magnética. A gente toparia ir até o Pará pra vê-los.

O show, confesso, me decepcionou um tantinho - mas muito provavelmente não por culpa da banda (apenas dos pinos que Jack trazia no dedo), mas devido ao cansaço extremo que tinha deixado a jornada e as 4 bandas que vieram antes. Quando Jack e Meg adentraram o palco, o ato de permanecer de pé já era sentido por meu pobre esqueleto como um martírio digno de Cristo subindo o Gólgota. Acabei aproveitando bem mais os shows que precederam: a caleidoscópica viagem psicodélica colorida dos Super Furry Animals e o dance-punk-com-saxofones do The Rapture, que levou o Rio ao êxtase coletivo absoluto com "House of Jealous Lovers". Mas ficou na lembrança, indelével, o fato: os White Stripes tinham sido o ímã que me sugou para meu primeiro rolê pelo Rio de Janeiro (voltaria anos depois, para o funeral dos Los Hermanos), aventura que haveria de ficar na minha memória pessoal gravada como algo especial e inesquecível.

Nos idos de 2001, quando lançaram White Blood Cells, o White Stripes estava prestes a dar um salto: de banda local a fenômeno global. Em Detroit, no Michigan, terra natal da Motown, da General Motors e do MC5, o duo já vinha ganhando uma certa notoriedade desde 1997, tocando seu primário e rústico rock garageiro em pubs locais hoje antológicos como o extinto The Gold Dollar. O grande chamariz era, é claro, a formação pouco usual: os White Stripes não eram de fato uma banda completa, mas um casalzinho, cujas misteriosas relações a imprensa mexeriqueira não parou de investigar.

Tanto fuçaram que trouxeram a tona a bombástica revelação: Jack e Meg não eram irmãos, como costumavam contar nas entrevistas, não se sabia se por pilhéria ou na honestidade; mas haviam sido casados e se divorciado. Quando a Glorious Noise jogou na internet o certificado de matrimônio de John Anthony Gillis e Megan Martha White, o enigma se dissipou. Mas os Stripes, que dizem adorar a reserva e a privacidade, não cessaram de ser alvos de fofoca.

White Blood Cells foi o primeiro álbum que os Stipes gravaram longe da cidade natal: foram até Memphis, no Tenessesse, cidade onde Elvis Presley desfilou seu topete por tantas décadas, para registrar seu terceiro petardo. A banda, que sempre primou pelo minimalismo, também não deixou jamais de possuir uma sensibilidade pop que a tornava altamente explodível no mainstream. O segundo álbum, De Stijl, já lapidara um pouco a crueza do debut, mas ainda mantinha-se com os pés fincados na rusticidade - o próprio nome do álbum fazia referência a um movimento artístico holandês que utilizava somente cores e formas primárias, tendo influenciado pesadamente a visão gráfica e fashion dos Stripes.



Mas foi Blood Cells o disco que escancarou imensas portas para que Jack e Meg se tornassem a coisa gigante que se tornaram nesta década. A explosão da nitroglicerina viria de fato com o álbum seguinte, Elephant. Gravado em Londres e puxado pelo hit "Seven Nation Army", chegou à estonteante marca de 1 milhão de discos vendidos - o que, na era do MP3, não é performance desprezível. Mas nada disso teria sido possível se White Blood Cells não tivesse chegado na voadora contra as cercas de Detroit Rock City e tornado os Stripes nacionalmente famosos, numa época em que os olhos dos EUA voltaram-se para a Cidade dos Motores, onde haviam surgidos tantos fenômenos pop famosos na época - como Eminem e Kid Rock.

Havia ali canções de uma infantilidade absolutamente adorável, que contrastava radicalmente com a pose de mau e de machão que costuma ser comum nos líderes de bandas de rock por aí. Quando White cantava "I'm so tired of acting tough and I'm gonna do what I please", os versos soavam como um manifesto e um grito de libertação. Nos folkzinhos bonitosos "Hotel Yorba", "We're Gonna be Friends" e "Same Boy You've Always Known", Jack White soa com um eterno menino, com uma autenticidade que é rara de se encontrar em qualquer canto do showbizz. Mas os Stripes também conseguiam fazer um barulho dos diabos - como em "Fell In Love With a Girl", um punkaço de 1h30min que remete aos Undertones ou aos Buzzcocks, em que uma guitarra encorpada e a gritaria frenética de White nos fazem esquecer completamente a falta de um contra-baixo na banda. O clipe da música, feito com animação de Lego, foi recentemente eleito o melhor da década pela Pitchfork. Mas havia também muito amargor espalhado pela lírica whiteana. "It can't be love, cause there is no true love", canta no refrão de "The Union Forever", petardo cínico e quase niilista que cita também uma cancioneta presente no Cidadão Kane de Orson Welles.

A imprensa mundial judiou bastante da pequena Meg, sempre descrita como uma batera tosqueira. Sua óbvia limitação técnica, porém, em nada prejudica a interação quase instintiva do casal, que mesmo depois do desquite permaneceu musicalmente muito bem transado. A evolução de Meg através dos anos também é notável - e longe vão os tempos em que Jack, nos primeiros shows de Detroit, falava ao microfone, na maior cara-de-pau e sacanagem, "tem alguém aí que saiba tocar bateria? I need a new drummer!" Eu, que nunca fui de ficar pagando pau pros bateristas punheteiros ao estilo do Rush ou do Dream Theather, acho a Meg eficiente, simpática e gracinha - e precisa de mais? Sem falar que, como disse o Lúcio Ribeito, "a estilosa Meg nem toca tão bem assim; mas não precisa. Jack toca por ela, pelo baixista que não existe e por mais um time de guitarristas que não há, tamanha a habilidade e velocidade em levar o som do White Stripes do blues ao rock ao punk ao country em uma canção".

Hoje, Jack White, merecidamente, é um dos maiores rock-stars sobre a face do planeta azul - e foi White Blood Cells o primeiro passo de gigante nesta direção. De um duo detroitiano tosqueira, que poderia ter continuado como um evento underground como são o The Go, o Paybacks ou o Detroit Cobras, os White Stripes subiram em seu foguetinho vermelho-e-branco rumo ao extremo estrelato. Provas? Eles têm clipes dirigidos por alguns dos maiores bã-bã-bãs do cinema mundial, como Michel Gondry (que fez "Fell In Love With a Girl" e "Dead Leaves and the Dirty Ground") e Sofia Coppola (que filmou "I Just Don't Know What To Do With Myself"). O próprio Jack já se arriscou como ator hollywoodiano, em "Cold Mountain" (de Anthony Mingella) e "Café e Cigarros" (de Jim Jarmusch). Nas filmagens do primeiro, conseguiu inclusive garfar a belezinha da Renée Zellwegger, com quem se casou e rapidamente desquitou. Jack montou ainda duas bandas paralelas, que o público e a imprensa mundial acompanha com olhos atentos, o Raconteurs e o The Dead Weather. Sem falar que juntou-se a Jimmy Page e The Edge (do U2) para o documentário It Might Get Loud, e fez participações especiais kick-ass em shows de ninguém menos que os Rolling Stones - façanha registrada por Scorcese em Shine a Light. Tanto que circulam na net notícias quentes de que está trabalhando com ele... Keith Richards! Não é de salivar?

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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

:: Um Brinde aos Terninhos! ::


:: THE HIVES ::
Your New Favourite Band (2002)


Quando lançaram Your New Favourite Band os Hives talvez estivessem dez anos adiantados em relação ao seu tempo - ou trinta anos atrasados. Em 2002, este elegante quinteto sueco já praticava rock de garagem há uma década. Foi graças à explosão tardia do insistente single "Hate To Say I Told You So", pertencente a Veni Vidi Vicious (2000), que este álbum foi lançado.

Os seus concertos eram eletrizantes. Vestiam terninhos monocromáticos idênticos e proclamavam-se, sem modéstia, a melhor banda do mundo. Insistiam também que um misterioso mentor chamado Randy Fitzsimmons não só tinha criado o grupo, como escrevia todas as canções. Assim Your New Favourite Band é uma compilação das melhores canções de Fitzsimmons, extraídos de Veni Vidi Vicious, Barely Legal (1997), do EP a.k.a.I-D-I-O-T (1998) e do single Hate To Say I Told You So (2000). Desde o frenético "Die All Right!" ao impetuoso "a.k.a.I-D-I-O-T", o seu vigor nunca desvanece. A natureza definitiva do seu som saturado de reverberações significava que Your New Favourite Band era suficientemente coerente para que os novos fãs pouco atentos (e alguns jornalistas) o considerassem um álbum completo.

Estejam adiantados ou atrasados em relação ao seu tempo, os Hives têm um som intemporal. As letras estão impregnadas de rebeldia juvenil, o seu rock ruidoso caminha sempre à beira do precipício e todos sabemos que um terno elegante nunca sai de moda. --- 1.001 DISCOS PARA OUVIR ANTES DE MORRER

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sábado, 29 de agosto de 2009

:: Rato Modesto ::


:: MODEST MOUSE ::
No One’s First You’re Next

VENENO ANTIMONOTONIA
Por Ana Alice Gallo


Se Mick Jagger, Keith Richards e Win Butler (Arcade Fire) se sentassem em um boteco para lamentar da vida, poderiam parir algo tão belo como “Satellite Skin”. Dylan e seu bandolin respingariam na canção seguinte, “Guilty Cocker Spaniels” (excelente nome de música, por sinal), como se tivessem ido a um show de free jazz e acordassem na ressaca do vislumbre. Thruston Moore vomitaria as guitarras em “The Whale Song” e Jack White teria inveja do timbre do riff que explode aos três minutos de “King Rat”. Pois é como se fosse essa salada hipotética de retalhos sonoros que “No One’s First, You’re Next”, EPzinho delícia do Modest Mouse, desce macio e reanima o bom ouvintindie.

Feito basicamente com as sobras dos álbuns anteriores (Good People Who Loves Bad News e We Were Dead before the Ship Even Sank), esse álbum mostra, como já disse o sábio Mininão, que dá, sim pra conhecer e amar uma banda só pelos B-Sides. Longe de parecer um amontoado de canções sem rumo, No One’s First mostra todas as pontas de um iceberg criativo que vai do folk psicodélico ao pop gostoso e fácil até chegar à influência inegável de Seattle, cidade onde a banda deu seus primeiros passos e que marcou o gene da Modest Mouse de forma indelével.

Formada no início dos anos 90, a banda é um híbrido dos mais bacanas a fazer a ponte da era grunge ao rock 00 passando pela psicodelia e o pós-punk. Pra completar, ganhou em sua formação ninguém menos que Johnny Marr, ex-Smiths, para um tempero extra da salada. Será que deu pra entender? Vixe, tá parecendo papo de bêbado, acho melhor deixar vocês ouvirem logo.

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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

:: Baladas de Assassinato ::


:: NICK CAVE AND THE BAD SEEDS ::
Murder Ballads (1996)

Como bom poeta bafejado pelo lado negro do rock, não foi surpresa saber que Nick Cave era um admirador das baladas sobre assassínios, um tipo de canção popular no séc. 18 que, evidentemente, narrava crimes particularmente violentos.

Desde a capa - uma reprodução de uma pintura a óleo que retrata um ambiente invernoso, muito diferente das imagens que compuseram as capas dos seus primeiros trabalhos - até aos cantores convidados (incluindo a sereia do pop Kylie Minogue), este não é um LP típico dos Seeds. A banda toca a um nível quase jovial, com um Cave intimista que desfruta com contentamento a criação de uma galeria sombria de estudantes assassinas, cônjugues tarados e psicopatas.

O lendário Stagger Lee ("bad motherfucker called Stagger Lee"), cuja notoriedade tinha já sido celebrada por James Brown e Wilson Pickett, entre outros, aparece na canção homônima perpetrando crimes inenarráveis contra os clientes da taberna The Bucket of Blood. "The Curse of Millhaven" é protagonizada pela angélica Loretta, que aos 14 anos se transforma numa fada e que confessa ter assassinado todos os habitantes da sua aldeia. Ao longo do álbum, os Seeds controem um ambiente claustrofóbico onde as almas condenadas de Cave estão irremediavelmente perdidas.

Cave atribuiu desde sempre o êxito do álbum à presença de Kylie Minogue e afirma que a banda encarou o disco como umas férias para a banda. Mas o álbum, que encerra com uma surpreendente e doce versão do tema de Dylan "Death Is Not The End", com PJ Harvey e Shane MacGowan como estrelas convidadas, é uma peça da discografia dos Seeds que exige o máximo respeito. --- 1.001 DISCOS PARA OUVIR ANTES DE MORRER


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terça-feira, 25 de agosto de 2009

:: da série PÃO QUENTINHO ::

REGINA SPEKTOR - Far
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AKRON FAMILY - Set 'Em Wild, Set 'Em Free
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SON VOLT - American Central Dust
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TORTOISE - Beacons of Ancestorship
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