quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

:: Janis Joplin ::

O Hippie ruleia!
- Bernardo Santana -

Todo mundo conhece a historinha do "achei um disco na pilha do meus pais quando era criança...", né? Pois é, lá nas priscas eras, entre uns Moraes Moreiras e Cartolas (Valeu, pai!) eu achei o dessa tiazinha bagunçada. Nem rádio eu ouvia ainda e o grunge era só um gametinha quase lá, então dá pra dizer hoje que foi a primeira vez que eu gostei de verdade de um disco de música roque. Eu não sabia que a moça já tinha morrido, nem que Pearl era um disco póstumo... Não sabia que Janis Joplin era o espírito hippie encarnado, nem que suas bolachas anteriores prometiam mais que entregavam... e mesmo assim...

Hoje, ouvindo o disco uns quase vinte anos depois, o bichinho só cresceu. Continua lá com seus clássicões, que dispensam pagação: Move Over, Cry Baby, A Woman Left Lonely, Mercedes Benz, Me And Bobby McGee, My Baby... Seis sons sensacionais em dez. E o melhor é que o que não é perfeito ainda é de alta qualidade. Liberada de suas duas bandas anteriores — meio mambembes —, Janis Joplin se espreguiça na cama cheia de blues/R&B criativo que a Full Tilt Boogie Band arma e ensina pras jovenzinhas criadas com leitinho com pêra da música atual como se engasgar com o próprio coração.

Como pode-se adivinhar, as letras passeiam entre a temática tradicional da música negra americana do século passado e o protesto social antimaterialista do final da década de 1960. Na época, nada fora de contexto, mas ainda assim marginal e contracultural até a medula. E parece que tinha bastante gente disposta a escutar na época: Pearl foi o maior sucesso comercial/de crítica de Janis Joplin e até hoje aparece por aí em listas de "200 melhores qualquer-coisa". Uma pena que antes mesmo do disco ver a luz do dia, a cantora texana tenha finalmente sido derrubada pela heroína.

Vão-se os mitos, ficam os posts.

DOWNLOAD: 58 Mb - 10 faixas

domingo, 27 de dezembro de 2009

:: Projetores Sujos ::


:: DIRTY PROJECTORS ::
por Eduardo Carli de Moraes

"I want to believe that the creative life is a sustainable life, and that
invention is an endless renewable resource. It's depressing to think of
creativity as psychic deforestation -- I don't want to be bald at the end of this.”
--- David Longstreth

Projetores sujos não necessariamente estragam o filme: talvez o deixem mais vago e onírico, surreal e bizarro, psicodelizando o que seria sem graça se viesse sem distorções. Imaginem que massa um filme de David Lynch ou Guy Maddin projetado por lentes imundas sobre um lençol esvoaçante! Talvez ter isto em mente ajude os viajantes a curtirem a estranhíssima viagem de cinema auditivo que o Dirty Projectors nos oferece com seu Bitte Orca, um dos discos mais celebrados (e esquisitos) de 2009.

Este sexteto de Nova York, liderado pelo inventivo David Longstreth (possuidor dum diploma responsa de composição musical em Yale), não tem alergia à esquisite nem o mínimo medo de ser weird(o). Prova da aventurosidade destes arteiros é o álbum de 2007, Rise Above, onde regravaram um clássico do punk (Damaged, do Black Flag) inteiramente "de memória". Ou seja, entraram no estúdio para coverizar um álbum que não ouviam há mais de 10 anos, marco de suas adolescências, desconstruindo e re-criando, sem nenhuma vontade de soarem fidedignos, as ferozes pepitas de Henry Rollins & Cia. O bizarro resultado é semelhante ao que ocorreria se o Belle & Sebastian, por exemplo, regravasse Fresh Fruit For Rotting Vegetables, do Dead Kennedys.

Já no novo álbum, universalmente aclamado como o ápice da carreira da banda, os Projectors viajam felizes por um amplo espectro sonoro, realizando "uma perfeita união entre excentricidade e acessibilidade" (como diz a resenha do A.V. Club). "Virtuosístico mas lúdico, imprevisível mas acessível, Bitte Orca não é um álbum de gênero, encapsulando idéias em demasia para poder ser arquivado convenientemente sob o rótulo 'indie' ou 'experimental'", escreve a Slant (que os compara aos Books, aos Battles e ao Of Montreal).


Findo este 2009, ano fértil em experimentalismos (a julgar pelos álbuns do Animal Collective e do Grizzly Bear, ambos incensados pela crítica mundial), o Dirty Projectors vê-se sagrado como uma das bandas de saco-mais-puxado pelos cri-cris: Bitte Orca foi eleito o 2º melhor disco do ano tanto pela revista Time (ficando atrás de Brad Paisley) quanto pela Pitchfork (que elegeu o Animal Collective) – dois vice-campeonatos de muita responsa. Entrou ainda no 6º posto da Rolling Stone e no 4º da Pop Matters. Como se não bastasse, eles têm feito timinho com jogadores de peso, como o Talking Head David Byrne (fizeram juntos um som pra coleta Dark Was The Night).

Mateus Potumati, do +Soma, destaca que a banda gerou "uma onda violenta de reações que vão da adoração efusiva - aí inclusos nomes como David Byrne, Arto Lindsey e Caetano Veloso - ao ceticismo e ao mais franco desprezo". Isso devido ao radicalismo de "sua abordagem vanguardista de estilos variados como o punk, o indie rock, a no-wave, o pós-punk, a música africana, o hip-hop, a composição européia contemporânea e os ares tropicalistas".

Em sua primeira passagem pelo Brasil, o sexteto desfilou seu excêntrico som em São Paulo, Rio e Goiânia (e Depredando esteve nesta última para conferi-los!). Com o cancelamento da turnê latino-americana do Supersuckers (os caipiras-punk tiveram problemas com o visto), os Projectors alçaram-se ao nível de headliner gringo principal do 15º Goiânia Noise, festival que têm procurado trazer novidades do cenário internacional que estão despontando coroadas de elogios da crítica mundial -- como foi o caso com o Black Lips e Black Mountain em 2008 e o Battles em 2007.

O Dirty Projectors, sobre o palco, emanava esquisitice. Um tanto fora-de-contexto num dos dias mais noisy do festival, subiram ao palco do Centro Cultural Martin Cererê depois que tinham passado sobre os tímpanos do público verdadeiros rolos compressores de barulho assassino: o stoner rock do Black Drawing Chalks, o pãnque-métal do Mechanics e o tosqueira'n'roll das Mercenárias. Foi um tanto estranho ver a boniteza folk "Two Doves", cantada lindamente pela gracinha da Angel Deradoorian, com uma guita limpinha a acompanhando, depois de tanta balbúrdia e insanidade. O que para alguns foi um começo "morno" me pareceu, muito mais, um prelúdio sussa para uma viajada jornada que, aos poucos, foi conquistando o público - que pode ter entendido pouco, mas que soube abandonar-se a sentir muito.

Me pareceu que os Projectos ouviram os discos dos Talking Heads com muita devoção, em especial o clássico Remain In Light (1980), mas que tentam simular aqueles cabulosos grooves criados por Byrne & cia sem antes dar um rolê, pelo menos, por Funkadelic e Sly & The Family Stone - pra não falar em malandros remolejos africanos. Mas dá pra notar que estão indo na ondinha de valorização das sonoridades africanas, que conta com outros defensores no Vampire Weekend, desconstruindo os clichês do pop sem medo de cair na bizarria.

Pasmo frente à estranheza do show, eu me perguntava quando é que o vocalista tinha sido liberado do hospício e quando foi que tinha começado a perceber que fazer música podia ser boa terapia contra a esquizofrenia... Não à toa já andam chamando Longstreth de “mad genius”! Ele parecia quase às beiras de ter un "ataques epiléticos" à la Ian Curtis, mas não tinha o mínimo “pudor” em fazer suas “dancinhas” - uma delas que eu logo apelidei de “pescocinho”, em que ele ficava bicando o ar como uma galinhazinha de pescoço de elástico que algum adolescente peralta tivesse feito fumar maconha... (Desculpem, mas só metáforas muitíssimo estranhas descrevem a coisa!).

A guitarrinha de Longstreth, mais rítmica do que solante, é do tipo que nos deixa indecisos quanto ao talento do músico, mas que não deixa que se duvide do quanto ele é criativo e amalucado ao lidar com suas próprias limitações técnicas. Mateus arrisca uma descrição, mais ou menos precisa (mas nenhuma precisão é possível na transmissão deste bizarre-way-of-playing), dizendo que "Dave Longstreth alternava, na guitarra, a levada à The Contortions com solos que remetiam a um Robert Fripp ou Steve Howe como vistos por Stephen Malkmus".

Já a gracinha de vocalista Angel, vestida num pijaminha amarelo quase infantil, como quem quisesse se sentir de volta ao quarto onde aos 5 aninhos pela primeira vez começou a cantar frente ao espelho, dava a sensação de não ter nascido para o palco e de não saber ao certo o que fazer de si mesma ali em cima -- mas mandou bem com seu "timbre delicado e folk, que se situa entre a voz de uma Joanna Newsom e a de uma Björk" (+Soma).

Para adicionar esquisitices ao quadro já bizarro, as três vozes femininas entoavam cânticos malucos, como se tivessem sido alunas de uma instituição psiquiátrica ou orfanato-reformatório -- o ápice sendo a bela "Stillness Is The Move". Em muitos momentos, davam a nítida impressão de estarem cantando em línguas estranhas, remetendo a “I Zimbra”, música de Fear Of Music em que Byrne constrói uma letra inteira com fonemas que nada significam – ou seja, canta num idioma inventado, fazendo das concatenações de sons arbitrários e sem sentido a inebriante matéria do canto.

Precioso privilégio o nosso: o de poder ver ao vivo os Dirty Projectors justo no momento em que eles, na crista da onda, são consagrados como uma das mais marcantes bandas de 2009. Ouvir Bitte Orca repetidas vezes, abrindo-se à tanta criatividade concentrada e dispersa, é não só ótimo para expandir horizontes sônicos como também é uma lição maior. A de que às vezes “louco” é só um rótulo que os babacas grudam naqueles que se comportam de modos que eles não podem entender ou aceitar - e que são, muitas vezes, muito mais autênticos e criativos do que os comportamentos estereotipados dos normopatas. Caso de Longstreth, artista amalucado que bota fé que o processo da criatividade possa ser contínuo e perpétuo: a criação não gera um "desflorestamento cerebral" e não nos deixa carecas no fim do processo.

DOWNLOADS:

BITTE ORCA (2009)
http://www.mediafire.com/?xdj1m2znlh5


RISE ABOVE (2007)



DAYTROTTER SESSIONS:
http://www.mediafire.com/?xuzumhjzjgw


LINKAIADA0: O GLOBO -- SLANT -- PITCHFORK -- +SOMA -- G1 -- DAYTROTTER -- A.V. CLUB -- KID VINIL -- MTV --IG -- INDEPENDENÇAS -- RRAURL --



quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Jingle Bells ROCK!

Caríssimo Noel: não fui uma boa pessoa em 2009. Fiz tudo de errado, e ainda mais um pouco. Não sei se mereço presentes, cartões, votos e garrafas de champagne. Panetones, dispenso. Minha revolta contra estes foi, inclusive, o motivo de tanta rebeldia em 2009. Se podem me vender pães que deram errado, me sinto no direito divino de violar direitos autorais, ignorar quaisquer regras de copyright, baixar álbuns sem permissão, incitar flames em comentários de blogs, e inclusive tuitar de dentro do banheiro. Não quero nada de presente. Nem queria mesmo um álbum muito bacana do Flaming Lips, com alguns dos mais inusitados covers, começando por Kylie Minogue, passando por Beck, flertando com Radiohead e terminando com uma musiquinha de natal massa, véio, pra botar na hora da ceia. Bônus Tracks, por sua conta? Não faço questão, mesmo que sejam em duo com Nick Cave (tocando Louis Armstrong? Duvido!) ou mesmo Pink Floyd só no pianinho. Brincou, né? Tá tirando a favela?

DOWNLOAD!
The Flaming Lips - Yoshimi Wins! Live Radio Sessions
http://www.mediafire.com/?mdql4tgtwdn

Ok, eu compreendo a missão sócio-cultural do senhor, que é entregar presentes pra todo mundo, seja rico, pobre, delinquente, usuário de tremas, ou nada disso. Vou pedir então, de natal, aquela música que emociona a todos que não têm medo de andar de elevador.

SIMONE - "Então é Natal"
http://www.4shared.com/file/73728469/e0296d38/Simone_-_Ento__Natal.html

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

: John Fahey ::


:: John Fahey ::
por Alexandre Nakamura

À convite do meu amigo de longa data Edu "Lusso", a partir desse post começo a contribuir regularmente na casa. Pra começar, um dos favoritos lá em casa: o mestre do blues-grassroots norte americano (muita gente chama hoje em dia de folk, neo folk, experimental.. ele mesmo denominava sua música apenas como "American Primitive Guitar", combinando elementos da música popular norte-americana, como musiqué concrete, field recording, música erudita..): John Fahey.

(ctrl+c/ctrl+p do wikipedia): "John Fahey (February 28, 1939 – February 22, 2001) was an American fingerstyle guitarist and composer who pioneered the steel-string guitar as a solo instrument. His style has been greatly influential and has been described as American Primitivism, a term borrowed from painting and referring mainly to the self-taught nature of his art. Fahey himself borrowed from the folk and blues traditions in American music but also incorporated classical, Brazilian, Indian and abstract music into his eclectic œuvre. In characteristically witty fashion, he once said of his style: "How can I be a folk? I'm from the suburbs you know." In 2003, he was ranked 35th in Rolling Stone's "The 100 Greatest Guitarists of All Time".

Mas informação de wikepédia não leva muito longe né. Então vamos direto à fonte:

"Yellow Princess" (Vanguart, 1968)
Download: http://www.mediafire.com/?nyiq2mhieod



"Return of the Repressed - John Fahey Anthology"(1994, Rhino)
Pra quem curte coletâneas, uma boa opção:
Download: parte 1 - http://rapidshare.com/files/155022508/Fahey_1.zip.html

"The Epiphany Of Glenn Jones"(1997, Thirsty Ear)
Um disco em colaboração com o Cul de Sac, banda experimental dos anos '90-'2000 de Glenn Jones, outro violeiro da mesma escola de "música primitiva americana".
Download: http://www.mediafire.com/download.php?jyjimmq5ine



dos morros da zona oeste paulista,
saudações zapatistas!
alexandre.

blog \\ myspace

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

:: Tocando terror ::


Bonde do Rolê
Entrevista com Laura Taylor
por Francine Micheli

Ela é linda e loira como uma pinup dos anos 50. Poderia ser aeromoça com o porte que tem, ou secretária executiva, ou modelo fotográfica, ou apresentadora de tevê. Mas não.

Laura Taylor passou 15 anos de sua vida na Nova Zelândia e, como filha de bom pai brasileiro, decidiu voltar à convivência da mandioca frita e do tereco-teco de domingo. Em 2008, por não ter nada melhor para fazer - e morrendo de tédio e calor nas terras brasileiras - a garota soube que estavam procurando uma nova vocalista para uma banda estranha, chamada Bonde do Rolê, que na época estourava nas baladas e rádios modernosas com "James Bonde", "Solta o Frango" e "Dança da Ventoinha". Não pensou duas vezes e se candidatou, já que não tinha absolutamente nada a perder.

Naquelas alturas, os músicos da banda - Rodrigo Gorky e Pedro D'eryot, de Curitiba - estavam procurando alguém interessante para substituir com categoria a primeira vocalista, Marina Ribatsky, que deixou a banda após um quebra pau.

O sucesso do concurso - em parceria com a MTV - foi grande e o Bonde escolheu não só uma vocalista, como duas: Laura Taylor e Ana Bernardino.

O fato é que Laura parece ter nascido pra cantar esse tipo de música, uma mistura de ironia indie, com vamo-tocar-terror, com DJ Marlboro e jargões populares, o que resultou em uma espécie de eletro-funk-alternativo. Mistura melhor não podia ser.

Vale lembrar que, pra quem ouve o som do Bonde pela primeira vez e já prepara discurso-pronto de repúdio às letras e à qualidade vocal, é interessante que se aprofunde mais no caso atípico do grupo: eles estão zoando com a sua cara. São pagos muito bem pra isso e são adorados fora do Brasil, principalmente na Austrália, Inglaterra, EUA, Irlanda e Japão, por onde têm excursionado nos últimos anos junto com o Cansei de Ser Sexy.

Na sua apresentação com o Killershoes - trio de garotas DJS de Belo Horizonte, Laura apareceu de macaquinho jeans. E a bota de cowboy, o batom vermelho o jeito de prender o cabelo não deixaram dúvidas sobre o estilo neozelandês de se produzir: um coque bem em cima da cabeça que deixa todo o cabelo parecendo um ninho de passarinho bagunçado. Mas ela estava radiante e logo de cara tacou no toca-disco "Don't Want No Short Dick Man". Ela mostrou a quê veio ao mundo e a galera pirou.

Nós do Depredando puxamos então uma prosa com Laura e ela, gentil que só, ainda se desculpou pelo "português meia boca".

Que nada, a moça é brasileira mesmo.


Depredando - Como você resolveu se candidatar no concurso para a escolha da nova
vocalista do Bonde? Você já conhecia a banda e já cantava profissionalmente antes?
Laura Taylor - Eu estava numa (SIC) crusadilha, queria mudar de vida e cidade e o concurso apareceu na mesma época, senti que tinha nada a perder e me candidatei. Eu nunca tinha pegado num microfone na vida. Primeira vez que cantei foi em um show do Bonde.

D: Já conhecia a banda?
LT: Eu ja conhecia o bonde sim, ja tinha eles no meu setlist e abri um show pra eles em São Paulo discotecando com meu projeto The Killershoes.

D: Como foi o processo de adaptação ao novo trabalho e à nova vida? Teve que mudar muito a sua rotina?

Engordei 10 kilos, acredita? E eu nem sei mais o que é rotina. Essa é a parte mais dificil, não saber aonde você vai estar daqui há 2 meses, se é em casa ou em turnê. Eu odeio voar também, então acostumar com isso foi bem dificil. É muito vôo, muito chá de aeroporto, muita comida de avião!

D: Que tipo de som vc ouve em casa ou no iPod?
LT: Depende de época. Agora estou resgatando cds que já ouvi muito e faz muito tempo que não escuto. Tipo Wyclef Jean's Ecleftic e TLC's Crazysexycool.

D: Você acha que o Bonde ainda tem uma pegada de brincadeira ou a coisa vem ficando mais séria?
LT: Somos quatro retardados, nem tem com perder a pegada da brincadeira.

D: Como tem sido a agenda da banda?
Estamos gravando. O foco agora é terminar e lançar o álbum novo para entrar em turnê para divulgar, mas nos últimos meses fizemos bastante show pelo Brasil que foi incrivel. Tive a oportunidade de conhcer lugares e pessoas incríveis.

D: Onde você mora atualmente?
LT: Estou morando em SP.

D: Você morou bastante tempo na Nova Zelândia. O que foi fazer lá e quanto tempo ficou?
LT: Eu mudei para NZ com 6 anos, minha mãe é de lá. Eu (SIC) ficar lá até meus 18 anos, depois voltei pra cá, depois voltei pra lá de novo e depois pra ca. (risos)
Estou quase vendendo a minha alma pra poder voltar pra lá agora em janeiro para passar umas semanas com os amigos queridos. Quero muito!

D: Trabalhou nas plantações de kiwi?
LT: Haha. Nunca trabalhei nas plantaçõess de kiwi mas já catei maçã.

D: O que você acha da cena musical de lá?
LT: Existe um gosto musical típico neozelandes, que é super chill, quase um reggae. Chega verão lá, está o país inteiro ouvindo Fat Freddys Drop e Fly My Pretties. Acho incrível.

D: Conhece Flight of the Conchords, Gin Wigmore e Lady Hawke?

LT: AMO Flight of the Conchords e tenho as 2 temporadas aqui. Conheçoo Lady Hawke também, mas Gin Wigmore?? Whats dat?

D: Por que voltou pro Brasil?
LT: Vim conhecer as minhas raizes.

D: Você acha que disponibilização de mp3 na internet é crime ou difusão de
cultura?

LT: Baixar o álbum novo de uma banda que você adora é um dos maiores prazeres da vida. Crime pra mim é outra coisa.

DOWNLOAD (via Discoteca Nacional)

domingo, 13 de dezembro de 2009

:: Terra Celta ::

:: TERRA CELTA ::
Ao Vivo no Bolshoi, Goiânia, 10/12/09

por Eduardo Carli de Moraes


"Somos seis aventureiros em busca de uma terra encantada... onde a cerveja é mais gelada... as donzelas são mais belas... e a alegria impera!" É assim que os malucos do Terra Celta apresentaram-se ao público goiano nesta última quinta-feira, quando transformaram o Bolshoi Pub num barco viking a singrar mares de uísque escocês.

Pode até parecer que um show destes paranaenses de Londrina vale mais pelo interesse "antropológico", ou que só vai agradar à quem tem gosto por freak shows, mas este coletivo quer mais é botar todo mundo pra dançar, festejar e se embebedar. E são muito bem-sucedidos neste intento... tocando música celta! Mas o som que fazem é bem mais rico do que leva a supor este rótulo: embarcar nesta viagem-de-som é ir em turismo por pubs irlandeses, cafés parisienses, festas napolitanas, danças judaicas... Eles são os vândalos-bufões mais empolgados que já vi sobre num palco (não que tenha visto muitos...).

A gangue consegue até meter música brasileira no caldo, realizando a proeza de tocar música celta como se fosse baião - o tipo de som que faria Luís Gonzaga se tivesse nascido no País de Gales e tivesse pancinha de breja Guiness. Apesar dos classudos instrumentos - que incluem violino holandês, gaita de foles, banjo, bandolim, acordeom, rabeca e por aí vai - eles caem por vezes num festão popularzão que chega perto duma forrozera, dum arrasta-pé. Nesta ocasião, não resistiram a zoar o sertanojo, estando na cidade que o celebrizou, mas até tocaram uma música de uma dessas duplas compostas sempre por um asno e um otário, ambos com cara-de-cu e com cãibra embaixo.

Fui vê-los com a caranga ideal: meu Celta imundo, ainda encardido da lama duns 700 quilômetros de BR-153. E carreguei minha carcaça pra lá depois de ter tirado o pó das minhas mp3s do The Pogues e ter vestido a saia-da-namorada que mais se assemelha a um kilt (brincaderinha...). E pasmei: pois esperava um tranquilo desfilar de world music bizarrona e os negos vão e mandam umas chineladas na orelha: como uma do Dropkick Murphys, aquela da trilha d'Os Infiltrados, transformando a beira do palco numa espécie de roda-de-pogo ao modo galês.

O público goiano, que não tem preconceito contra nada, apesar de fazer piada de tudo, pirava e pulava dum modo inimaginável. E nem eram uns metaleiros mala fãs de Blind Guardian ou Blackmore's Night. Tavam mais pra nerdões de óculos que acham Tolkien maior que Shakespeare e sonham com a banda-de-rock que honre O Senhor dos Anéis.


Figuraça e showman nato, o vocalista e o violista Fiddler é desbocado, cafajeste e xavequeiro. Até soltou, pruma mocinha na frente do palco, esta eficientíssima pérola de retórica sexual: "Você é tão linda que, se fosse um sanduíche, se chamaria X-Princesa!" Tão terrível que chega até a ser bom. Aposto que a coisa foi quente nos camarins, depois do show...

O Terra Celta, porém, sofre do mesmo mal que acomete o Móveis Coloniais de Acaju e sua feijoada búlgara: em cima do palco são uma banda muito mais sensacional do que em disco. Não que o debut dos paranenses seja ruim - longe disso. Mas ali, apesar da musicalidade rica e variedade instrumental estarem bem representadas na gravação, falta todo o fascínio e empolgação da experiência coletiva que se sagra ao vivo.

As canções falam sobre marujos bêbados, piratas, vikings, cowboys e outros párias das terras e dos mares. Nada muito original nesta celebração devassa da pilantragem e da embriaguez, mas - oh hell! - os caras sabem como fazer uma festa do capeta. Nos sentimos transportados para a Idade Média, em alguma taverna que escapa aos poderes eclesiásticos e às chaturas morais religiosas, onde homens comuns entregam-se aos prazeres da carne, da bebida e da dança. Como pagãos em torno da fogueira, celebrando o deus Dionísio, gastam suas labaredas, já que nada levaremos para o caixão.

Em irônica chacota à caretice e em apologia escancarada dos excessos, fizeram o Bolshoi inteiro cantar, como se Goiânia tivesse virado Glasgow:

Dizem que comer demais faz mal; parem de comer!
Dizem que beber demais faz mal; parem de beber!
Dizem que fumar demais faz mal; parem de fumar!
Mas se disserem que sexo demais faz mal... PAREM DE ESCUTAR!

Eles parecem tocar no intento de transformar todo dia de todo mês numa Oktoberfest de ebriedades outubrinas. Como dizem na canção que fecha o primeiro álbum, eles não querem ir pro céu... porque no céu não tem cerveja. Que chatura não deve ser, ficar tomando leitinho, ao som de harpas! "In heaven there is no beer / That's why we drink it here!", cantam os meninos, aos lá-lá-lás.

Nada seria mais careta da parte destes corsários do que protestar contra a pirataria depredística; pois então pilhem sem pudor o debut dos caras aí embaixo - também disponível no site oficial dos caras (mas lá ele vem caótico: sem o número das faixas, o que nós aqui, muito mais ordeiros, resolvêmo). E não perca a chance de embarcar neste barco viking se eles passarem por sua cidade: não há Moby Dick capaz de afundar a animação desta nau!



E voilà um vídeo excrusivo, gravado no meio da festança céltica:

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

:: Bang Bang, Baby! ::


SEM FIRULA E SEM FRESCURA

- Mesclando punk garageiro, rockabilly e surf-music, o Bang Bang Babies faz um dos noises mais turbinados de Goiânia Rock City -
por Eduardo Carli de Moraes


Ah, a garagem! Não há cômodo domiciliar que mais tenha prestado bons serviços ao rock and roll. O espaço concebido pra guardar carro, apossado pela criatividade maníaca da juventude rocker, acabou virando um santuário onde destroçar tímpanos. Sorte a nossa! Enquanto a mamãe ficava com suas panelas na cozinha, o pai frente à TV da sala e a pivetada brincava na área, alguns danados, adeptos da arte-de-fazer-barulho, procuraram guarida ali, em meio à graxa e à fuligem, por vezes em meio a um calor dos infernos, e mandaram bala. E até hoje, ainda que não toquem mais no aperto do inferninho automotivo, há bandas que continuam com o espírito fidelíssimo à ela.

É o caso da Bang Bang Babies, uma das bandas nacionais recentes que com mais punch e pegada honra o som-garageiro de todos-os-tempos. Inserem-se numa árvore genealógica que, saindo dos anos 60 com Stones, Kinks e Sonics (sem falar de mais mil e uma bandinhas obscuras), passa pelo proto-punk, pelo punk '77 e vai dar em Cramps, Jon Spencer e White Stripes, dentr'outros. Na ativa desde 2005, o grupo soltou recentemente "Love and Bullets", seu segundo long-play, lançado via Monstro, com excelente produção e raw-power transbordante. É o Thee Butchers Orchestra fazendo escola. E a prova de que a garagem ainda pulsa!

Os caras, ao vivo e em disco, soam como uma bandaça energética e noisy, apesar de tosca, que apesar de ter começado na década 2000 não parou de celebrar e honrar bandas das antigas, demonstrando grande conhecimento da história do rock de garagem e dos primórdios do punk. Não à toa, poucos dias antes desta entrevista os caras tinham dado um pulo em Sumpaulo para conferir Iggy Pop e os Stooges, no festival Planeta Terra, com a formação do clássico Raw Power. "O James Williamson tocou mal pra caralho!" (risos), não perdoou o guitarrista da Bang Bang Vital - mas o show de Iggy e sua trupe foi elogiado pelos caras, que costumavam tocavam "Loose", do clássico Fun House, anos atrás.

A classuda capa do álbum, duma estética que vai soar familiar a quem já viu o badalado clipe de "Favorite Way", dos Black Drawing Chalks, ficou a cargo da galera do Bicicleta Sem Freio - agência de design que anda dando uma cara cool e kill-billesca para muitas bandas de Goiânia, com uma certa influência das pirotecnias psicodélicas à la Queens of The Stone Age em "Go With The Flow".

Neste XV Goiânia Noise, os caras foram escalados para abrir a noite de quinta-feira, no pub com cara de rep Metrópolis. Com decibéis em excesso e empolgação de sobejo, mandaram ver 10 pancadas nuns 30 minutos de som, provando que com eles não tem firula nem frescura. Pelo chão, após a passagem do ciclone, espalhavam-se, como despojos de guerra, os cadáveres de um público bangueado sem dó. Na mesma noite, tocaram ainda o Sapatos Bicolores de Brasília (jovem guarda tocada como se fosse Elvis Costello) e o The Name de Sorocaba (modernoso róque-de-pista-de-dança que honra Rapture, Kasabian e Franz Ferdinando).

Dias depois, trombando os caras nas dependências do Centro Cultural Martin Cererê, pouco depois do show dos Argentinos do Los Lotus (com que o Bang Bang Babies dividiu o palco para um show extra na ressaca do Noise), batemos um papo com o núcleo da banda - Pedro (voz/gtr) e Vital (gtr/voz). Completam a turma o baixista Pintin e o batera Hélio.


DEPREDANDO: De onde saiu o nome da banda? Fiquei imaginando, já que vocês se declaram fãs de westerns de Sergio Leone e spagghettis, se poderia ser uma homenagem à Kill Bill...

PEDRO: Na real o nome num tem uma lógica: soou legal e pronto! Num tem que ter sentido não... Mas com certeza a banda tem muita influência indireta de cinema e de quadrinhos, apesar da gente num citar isto especificamente nas letras. Muitas músicas nossas falam disso mesmo: violência, tiro e morte! (rs)

VITAL: A gente sempre curtiu muito esses filmes de Velho Oeste e costumava até pôr aquele som da Nancy Sinatra, "Bang Bang" (que abre os créditos do filme de Tarantino), na abertura dos nossos shows.

DEPREDANDO: Que bandas vocês consideram como referências e influências maiores no som de vocês?

PEDRO: Nossa referência sempre foi um som mais proto-punk, à la Stooges, um som setentista mais rock-and-roll, mas que não fosse nem hard-rock nem progressivo. Resumindo: som tosco e barulhento dos anos 70. Curtimos muito as bandas de garagem dos anos 60, tipo o The Sonics e The Seeds. Também nos espelhamos muito em Gories, Oblivians e Cramps - sempre essas coisas mais garageiras, já que som com essa proposta quase ninguém faz hoje em dia. Isso já foi moda, lá pelo começo da década 2000, quando o The Hives tava estourado, ou no ápice do Blues Explosion, quando surgiu um monte de banda garageira, mas depois deu uma caída.

VITAL: O Strokes também trouxe uma onda meio garageira, mas misturada com um lance meio indie-anos 90, com aquelas guitarrinhas "pim-pim" (rs), bem agudinhas!

PEDRO: Também curtimos muito a coletânea Nuggets - Original Artyfacts From The First Psychedelic Era, que é imbatível, uma das melhores coletâneas já lançadas, se não a melhor. São coisas muito obscuras e raras, de bandas que às vezes lançavam um single só, nem chegavam a gravar álbum. Com as limitações técnicas e financeiras da época, a galera tinha que se desdobrar pra fazer do jeito deles, e é essa atitude transgressora do rock garageiro que a gente gosta. E o cara que fez a seleção, o Lenny Kaye, o guitarrista da Patti Smith, pesquisou muito o underground garageiro sessentista pra fazer isso. É uma grande referência

DEPREDANDO: Também rola uma influência de surf music no som, não?

PEDRO: Com certeza! Só que a gente é tosco e não sabe tocar surf music direito, aí vira surf-punk. Um som tipo The Mummies, que é uma espécie de surf-punk, também influenciou muito a gente. Que é essa idéia do surf-tosco...

VITAL: O próprio climão do Cramps tem uma puta duma ondinha surf. A gente até pensou em fazer um disco todo só de surf tosco. E vai rolar, velho... Vai rolar algum dia. Eu gosto pra caramba de surf e de rockabilly, além de já ter tido banda indie antes de banda-de-garagem. Uma pá de música surf que a gente fez a gente aposentou pois num dava conta de tocar (rs). A gente ouviu muito surf das antigas, tipo Dick Dale e The Ventures. Hoje em dia, tem 3 bandas de surf que eu elejo as mais foda da América do Sul: a Dead Rocks, de São Carlos, uma das melhores bandas de surf do continente, que é sensacional! Os caras sabem fazer o clássico, mas também o mais agressivo, saca? Muito, muito bom! E nós somos amigos dos caras, que até já nos levaram pra tocar em São Carlos (SP), num evento que teve uma banda de surf, uma de rockabilly e uma de garagem - foi um dos melhores eventos que a gente já tocou, uma festa foda! Os caras anunciaram o show num Hot Rod, aquele carrão das antigas, e a galerinha chegava de lambreta... foi muito louco! Mas num vou ficar pagando muito pau pros caras senão eles vão ficar enjoados... Johnny Crash: pau no seu cu! (rs) Além do Dead Rocks, ponho no top 3 o The Tormentos da Argentina e o Supersonicos do Uruguai - todas elas já tocaram aqui em Goiânia e eu pirei. São três bandas que eu acho foda e que todo mundo tem que escutar.

PEDRO: Hoje em dia, aqui em Goiânia, somos uma das poucas bandas que têm essa influência surf -- porque grande parte da galera foi numa onda mais stoner-rock, de som pesado, isso é que pegou e tá dando o tom aqui hoje em dia. É só ver o Black Drawing Chalks, MQN, Hellbenders, Mechanics... É uma galera influenciada por Queens of The Stone Age, Kyuss, coisas mais pesadas. Nada contra isso, mas o lance garagem mal existe em Goiânia hoje - e a Bang Bang é que tá tentando manter isso vivo. A gente num é uma banda pra bater cabeça - só pra dançar toscamente! (rs) No passado já teve muita banda garagem foda em Goiânia, tipo a Hang The Superstars - e mesmo o MQN tocava garagem no primeiro álbum, Hellbusrt. Hoje em dia não tem mais: a Hang acabou e o MQN e o Mechanics viraram banda de metal. Nada contra. Mas eles tinham outra onda.

VITAL: É a gente mantendo vivo o garagem em Goiânia! (rs)



DEPREDANDO: E o Goiânia Noise? Vocês já tocaram aqui várias vezes, né?

VITAL: É o terceiro ano que a gente toca e o nono ano que a gente vem. Desde 2001 a gente vem no Noise. Em 2001 vim aqui pra ver o Dead Billies e o Nebula, e véio... nunca mais saí daqui! Em 2006, primeiro ano que a gente tocou no Noise, ele foi realizado pela primeira vez no Centro Cultural Oscar Niemeyer, que é muuuito grande e tem uma estrutura radical - e quando eu entrei lá eu fiquei assustado com o quanto tinha crescido. A gente já sabia o quanto era grande em questão de mídia e de todo mundo falar bem, mas foi impressionante ver o quanto era grande fisicamente, não só o conceito. Já em 2009 é incrível que esteja rolando festival na quarta, quinta, sexta, sábado e domingo - todos os dias bombados, e eu boto fé que vai bombar amanhã também! [a entrevista foi no sabadão e, confirmando a profecia de Vital, o Noise do Domingão tava tinindo!] Foi arrojado e está dando muito certo.

PEDRO: E hoje o Noise tá com este formato "espalhado pela cidade", que aconteceu pela primeira vez e funcionou muito bem. As casas tavam todas lotadas, e aqui no Centro Cultural Martin Cererê foi a mesma coisa. Pena que era pra ter sido no Oscar Niemeyer, um lugar bem mais amplo que este aqui, e que permitiria até trazer uns headliners maiores, mas como este espaço não foi liberado pelo governo, teve que ser aqui no Martin mesmo - que é um puta dum lugar, muito clássico no rock goiano, mas que já não funciona tão bem como estrutura pro tamanho do Noise.

DEPREDANDO: E a "cena" de Goiânia é de uma força incrível, até mesmo pra quem chega de São Paulo ou de outras metrópoles... Não é à toa que andam chamando a cidade de "nova capital do rock brasileiro", né?

PEDRO: A gente já viajou por algumas cidades, fomos a alguns festivais que fomos convidados, e a gente via as bandas das outras cidades e não tinham nem um pouco da qualidade que as bandas daqui têm, sabe? Apesar da tendência maior ser o som pesado, aqui tem muitas bandas diversificadas, de vários estilos, cada uma mandando bem de seu jeito. E o Noise exige uma qualidade pra entrar no evento. Se a banda num for boa, não vai tocar. Num adianta.

VITAL: Acho que as bandas daqui ensaiam mais, têm mais pressão! E tocar pra amigo não é fácil, saca? Amigo pode fazer uma crítica muito pior! E pelo menos o pessoal de Uberlândia ficou impressionado com o tanto que o pessoal daqui ensaia pra caramba, o tanto que faz show, antes de chegar a tocar no Noise... Tem muuuita banda que rala muito e acho que é isso que fortalece. Sem falar que tem espelhos bacanas também - e a gente não pode tirar o mérito de jeito nenhum do MQN e do Mechanics, que a gente vê e diz: "temos que fazer um lance bacana assim!"

PEDRO: Tem outras bandas também, que não são da Monstro mas são do caralho, tipo o Desastre, que já lançou vários LPs na Europa inteira e nunca foi tão valorizada pela mídia nacional, mas que fez um trampo fodido.




DEPREDANDO: Planos pro futuro... quando vêm o sucessor de "Love and Bullets" e qual naipe de som devemos esperar? Algo ainda mais raw power, pra botar fogo na garagem?

PEDRO: A gente tá em processo de gravação de um compacto que procura resgatar esta sonoridade lo-fi da época da Nuggets. Nossos dois CDs anteriores foram gravados com alta tecnologia, no Rock Lab, então as músicas tem uma pegada garageira mas com "computador por trás". Ficou legal, muito bem produzido, mas agora a gente quer ir pra outro lado, experimentar outra coisa - que é este lado mais lo-fi e mais sujo.

VITAL: Cara, a gente tá usando um ampli que é do tamanho deste teu gravador! (rs) [nota: a entrevista foi gravada num Mini Cassette Recorder de fita K7, mais ou menos do tamanho dos velhos Walkman Sony]. É loucura, cara! E a proposta é muito boa: porque com a limitação e as dificuldades a banda vai crescer pra caramba, sabe? E isso já tá acontecendo: já tamos crescendo muito musicalmente.

PEDRO: Nêgo ouve estas novas gravações e diz: 'Num é possível cês terem gravado essas guitas neste ampli de brinquedo!" (rs) Mas foi a real, cara: foram 4 canais, e tem música que tem 3 guita gravada! É um processo que tá exigindo que a banda tenha que se desdobrar 10 vezes mais do que se estivesse gravando normalmente, com toda a tecnologia que se usa em estúdio hoje. É cansativo, mas é ainda mais divertido porque a gente tem mais possibilidades de experimentar.

VITAL: Hoje tá muito fácil gravar, né cara? Tá acessível demais. Eu lembro que no passado eu ouvia umas bandas underground e o show era sempre muito melhor que o disco, mas a tecnologia ficou tão foda que hoje qualquer um consegue gravar um disco com qualidade de som e produção bacana. O que a gente tá tentando passar no disco é a energia do show: é um lance de não enganar a nós mesmos e nem ao público.

PEDRO: É: a maioria das bandas hoje e dia tem um disco muito melhor do que o show - e eu acho que isso não é certo. Tem tanta tecnologia disponível que os caras vão e fazem um CD do caralho, mas cê vai ver no palco e... num é a mesma coisa. Inclusive a gente: não dá pra reproduzir ao vivo o que a gente fez no estúdio. Isso é foda: tem tanto recurso disponível que você grava com uma pegada que é impossível levar pra performance ao vivo - e é o que rola com 90% das bandas hoje em dia.

DEPREDANDO: Mas que tipo de modificação sonora estes novos procedimentos de gravação vão trazer pro som da Bang Bang? Ele vai ficar mais "leve", sessentista e psicodélico?

PEDRO: Que nada, o som tá é mais sujo!

VITAL: Muito mais sujo! Tá muito legal, pra falar a verdade, toda a feitura. O processo é muito longo, saca? A gente abraçou a idéia, e está tendo as mesmas dificuldades técnicas que tiveram os caras que a gente gosta, e tamos tentando ser toscos da mesma forma. Mas tosco no sentido de simples, não no sentido de ruim! Porque pra mim tosco não é sinônimo de ruim, é sinônimo de simples.

DEPREDANDO: O que é um pouco o grande lance do punk, não é? O importante é a expressão simples da emoção - não precisa ser complexo, cheio de virtuosidade, com mil notas por segundo...

VITAL: Mil notas por segundo?!? (hahaha) É isso aí! Com certeza tem mó influência de punk e proto-punk no nosso som.

PEDRO: Punk '77 tem muita banda legal, tipo o The Damned. O pessoal fala muito de Sex Pistols, mas eu acho uma bosta. Na época teve muitas bandas melhores! [o camarada ao lado olha feio, quase saltando nas carótidas de Pedro frente à heresia proferida...].

VITAL: Hahaha! Ele ficou inconformado, velho! Declaração polêmica! Num podia faltar!

DEPREDANDO: E da cena nacional, quais são as referências?

PEDRO: O Butchers pra mim é a principal, mas tem outras, tipo o Dead Billies da Bahia, que já acabou. Quando eles tocaram aqui no Noise a gente pirou, chocou fodidamente. Tem também uma banda paulistana que ninguém conhece, o Sell-Outs... Na época, todo mundo pagava pau pro Butchers, mas o Butchers chupou muita coisa deles.

VITAL: E tem que falar também do Damn Laser Vampires, banda recente de Porto Alegre, de 2007, a banda mais massa que tá rolando no Brasil.

PEDRO: É a banda nacional que hoje em dia a gente mais pira. A gente assistiu o show deles aqui faz pouco tempo e foi massa, foi foda!

DEPREDANDO: Pra finalizar, façam um Top 5 Bandas-Da-Vida!

VITAL: Caaara, eu curto muita banda que não tem a ver com o som da Bang Bang, mas muita banda que tem a ver... curto muito tudo do Jon Spencer. Muito Stooges. Sou fã incondicional de Sonic Youth, que pra mim é aula-de-guitarra. Também gosto pra caramba de Dinosaur Jr, outra banda mó guitarreira, tava até vendo os caras numa revista de skate, cê pira? (rs) E atualmente tô ouvindo demais demais o Oblivians. Cara, eu posso falar umas 10! Top 5 chega a ser foda...

PEDRO: O meu top 5, não necessariamente nesta ordem: Blues Explosion (e o resto dos projetos do Jon Spencer, até o Boss Hog é foda!), Bo Didley, Clash, Stooges e o Oblivians - banda garageira que a gente tá pirando.

DOWNLOAD [autorizado pela banda]:
10 faixas - 25' 15'' - 34 MB -192kps
http://www.mediafire.com/?ytrnhgvddtt

ROCK PRESS - MYSPACE - TRAMA - TWITTER

sábado, 5 de dezembro de 2009

Rockin' the party


LUDO
por Francine Micheli

Já te aconteceu de olhar uma pessoa e pensar: "esse é o/a homem/mulher da minha vida"? Pois bem, foi exatamente essa sensação que eu tive quando ouvi pela primeira vez esses malucos do LUDO. Exageros à parte, achei mesmo que teria direito a arrepio na espinha, sangue gelado e borboletas no estômago. Aquela banda pela qual eu gastaria 40 dólares num cd (ou $9,99 no iTunes), da qual eu comentaria com todos os meus amigos, a qual eu ouviria toda noite antes de dormir.

A minha experiência pessoal com esse quinteto foi muito por acaso, durante fuçações na internet no distante começo de 2008. Quando vi pela primeira vez o videoclipe de "Love me dead" - o grande çuçeço da banda, o coração acelerou.

Vinda diretamente de St. Louis - EUA, e com um nome até bastante xexelento, LUDO é uma daquelas bandas extremamentes viciantes que te fazem recusar a cervejinha do final de semana ou até mesmo esquecer que seu namorado ta te esperando com a barraca armada no quarto.

O power pop que eles fazem é irônico, inteligente, cheio de non-sensices e mais do que dignos de capas em NME, Rolling Stone ou Clashs da vida.

Além de tudo, o lider e vocalista Andrew Volpe tem um quê de Jim Carrey que quando se junta ao seu vozeirão de potência elástica faz emergir um artista mais do que completo, pronto pra abrir os braços e ter o mundo inteiro aos seus pés. Mesmo com seu sex appeal de chimpanzé reumático.
Resumindo, é tipo aquela banda que você daria tudo pra fazer parte dela. (isso é um comentário particular).

Fazia muito tempo que não via um clipe de tamanha criatividade - e aproveitamento de orçamento limitado, o que prova de uma vez por todas que, como diria o profeta Faustão, essa é uma das maiores bandas dos últimos tempos. Eu acrescentaria dos últimos tempos que ainda estão por vir, graças ao (não por muito tempo) anonimato no choubiznes. E tanto é que o çuçeço dos caras já foi previsto pelo Dr. House, cuja penúltima temporada conta com a mesma "Love me Dead" na trilha sonora. É pura poesia e frases como "How's your new boy? Does he knows about me? You've got the mark of the beast" pululam disco abaixo.

O primeiro cd "LUDO" é um garajão de primeira, já "You're awful, I love you" é de estourar os tímpanos, contagiante como ele só. "Broken Bride", o terceiro, segue a mesma linha, mas com uma maturidade maior sem deixar de lado o lado pop, indie, rocker, ou qualquer coisa que possa identificar a banda.

DOWNLOAD

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

:: la nueva fornada ::

ECHO & THE BUNNYMEN - The Fountain
http://www.mediafire.com/?gzmgrggztyy



THE ANTLERS - Hospice
http://www.mediafire.com/?dmnhtzymtdm



JAMIE CULLUM - The Pursuit
http://www.mediafire.com/?mzzymjmudw5



ATLAS SOUND - Logos

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

:: TOPs 10 2000-2009 ::

Década Danada
- Bernardo Santana -

(Esse post não reprenta a posição dos outros colaboradores-truta deste blog. Os deles vêm em seguida. Se tudo der certo... Para baixar, clique na capa do álbum.)

1º — STROKES/Is This It?
Barbada. Além de ser um puta disco roqueiro dançante legalzão cheio de hit combos, o Is This It? merece o topo porque fez a década. Fez no sentido de ser o som a ser copiado por todo mundo, tipo assim o… “novo Nirvana”! Yey! O mérito e a culpa do que veio depois não é dos caras da banda, claro, mas eles deveriam saber de que depois de colocar na praça sons do naipe de Last Nite, Hard To Explain, The Modern Age e Take It Or Leave It todo mundo ia procurar suas calças apertadas no brechó mais perto de casa.

2º — AT THE DRIVE-IN/Relationship of Command
Se o Strokes foi o que foi, o At The Drive-In foi o que deveria ter sido. Mas não, a banda preferiu “entrar em hiato” do que continuar lançando discos pesadaços e perfeitos como esse. Um som ao mesmo tempo original, acessível, intrincado, estranho, toneládico, lírico e intrigante. Eu até hoje não consigo nem traduzir as letras, quanto mais entendê-las por completo. E no palco o bicho também pegava feio, como qualquer consulta ao YouTube pode comprovar muito bem. Pattern against user, de fato, amiguinhos!

3º — LIBERTINES/Up The Bracket
Outra grande banda que se foi muito antes do que deveria, mas que entregou num disco só o suficiente pra uma carreira inteira de clássicos. A música caótica com ecos do Clash dos putinhas rendeu embaraçosas seções de air guitar a este que vos escreve (err… quando eu ainda tinha idade pra isso, claro…) nesta primeira década do milênio. Ao lado dos Strokes, banda mais influente da década na minha humilde opinião. O problema é que ninguém mais no mundo sabe tocar como eles… Ouça Time For Heroes pra entender.

4º — MEDESKI, MARTIN AND WOOD/Let's Go Everywhere
O trio danado do jazz/funk nova iorquino foi covarde com esse Let’s Go Everywhere. Além de estar em verdadeiro estado de graça instrumentalmente, ainda fizeram uma bolachinha pras crianças do mundo. Ah, mas que bunitinho… E o pior é que a iniciativa-Michael deu certo demais. É o disco de jazz mais palatável não só desta década, mas de toda a história da humanidade! Ok, forando a empolgação de fã novo dos caras, é clássico pra se ouvir por muito e muito tempo ainda. Do lado do bercinho e tal…

5º — PEARL JAM/Pearl Jam
Põe o dedo aqui quem não dava mais nem uma batata pelo Pearl Jam depois da virada do século… Mas toda a desconfiança e espera entediada vinda com os lançamentos menos inspirados acabou com essa bolachinha incrível de 2006. World Wide Suicide finalmente resolveu o que eles tentavam fazer com o som nos últimos cinco anos, Parachutes fez o mesmo no quesito baladas e Unemployable é coisa inédita no repertório pra surpreender macaco velho. O resto é só foda pra caralho.

6º — JACK JOHNSON/In Between Dreams
Pra fogueira com os malditos puristas. Pop para as massas pode ser música boa, sim! Sob o risco de ser deserdado por 97% dos camaradas, eu afirmo: Jack Johnson pra presidente. De ponta a ponta, um disco que baixa a rotação desse mundo neurótico e ainda tem as manhas de falar de amor bobo sem parecer… bobo. 14 perolinhas despretensiosas jogadas aos porcos com aquele vocal meio percussivo do surfista e por sua mão direita única no violão.

7º — RYAN ADAMS/Gold
Outro potencial destruidor de amizades rockers quase certeiro, mas que vale a pena o risco. Vindo de uma carreira já bem interessante naquele negócio que costumava se chamar Alt Country, Ryan Adams se equilibrou em sua carreira solo entre o som “já ouvi isso antes” e o breguinha fabuloso da música caipira dos EUA. E o melhor foi que ele conseguiu fazer bons discos com isso. Gold, pra mim, é o melhor de longe, com suas 478 baladas românticas de chorar e seus 1/5 rocks caipiras. Mas é bom demais. Juro!

8ª — MORRISSEY/You Are The Quarry
A carreira solo do ex-vocalista dos Smiths já teve seus providenciais altos e baixos, hits e malices, mas You Are The Quarry é o ponto mais alto do poeta vegan de Manchester nesta década. Com uma banda decente finalmente, e arranjos de cordas sem afetação, o som competente e ganchudo do disco quase faz a gente esquecer que as atormentadas letras do topetinho atormentado só melhoram com o tempo. Elas ainda fazem parecer que ele é um coitado miserável que o mundo esqueceu… Mas, por deus, que coitado talentoso.

9º — FIONA APPLE/Extraordinary Machine [bootleg]
A primeira versão do terceiro disco da cantora e pianista americana (a gravadora disse não e pediu reforma) é uma bagunça. Musical da Disney misturado com jazz, mas inteiro assoviável, Machine é uma obra de arte perfeita sendo pervertida por uma classe de crianças de dois anos esquecida num estúdio. E todas elas vivem na cabeça de uma menina perturbada que canta como um passarinho chamada Fiona Apple. Música lúdica maluca.

10º — LOS HERMANOS/Bloco do Eu Sozinho
Sem precisar forçar nem um pouco a amizade e o bom senso pra colocar um disco nacional no top 10, aqui estão eles. Mais que todas as músicas bacanas que conseguiram fazer aqui misturando weezer, outras alternativices, hardcore, ska e já bastante samba e MPB, o Los Hermanos ainda teve o peito e o talento pra ser a primeira (e até agora única) banda indie gigante do país, peitando gravadora e o caramba. Seria histórico mesmo sem o repertório original e já clássico dos caras em Bloco. E viria mais depois.

[Menção honrosa] – SILVERCHAIR/Young Modern
Se você não ouviu o Silverchair depois que eles deixaram de fazer sucesso (ou seja, nesta década), esqueça o conceito que tem da banda agora. Cada vez mais, Daniel Johns e companhia vão rumando pra esquisitice musical do bem, tentando criar melodias perfeitas que ninguém nunca fez antes e um instrumental de rock sem clichês. Trabalho ingrato depois de mais de 50 anos do gênero, mas que vem dando frutos como em Young Modern. Vale ouvir e fica como representante de todos os discos foda que não entraram na lista.

E por hoje é só.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

:: Them Crooked Vultures ::


DREAM TEAM


- Josh Homme, Dave Grohl e John Paul Jones somam
suas forças num coletivo matador que já nasce clássico
-

por Eduardo Carli de Moraes



“Make your favorite music or go fuck yourself.”
(JOSH HOMME)


A tentação de chamá-los de “supergrupo” é quase irresistível – por mais que o rótulo soe um tanto idiótico. O Them Crooked Vultures possui um line-up tão espetacular que não há como evitar que nossas expectativas atravessem o teto e adjetivos hiperbólicos se amontoem na descrição deste fodástico power-trio. Afinal, o “dream team” formado pelo ex-batera do Nirvana (e líder do Foo Fighters), o ex-baixista do Led Zeppelin e o guitarrista do Queens Of The Stone Age (e do Kyuss) é de deixar qualquer roqueiro salivando. Mas e o resultado? Está à altura da reputação destes mito vivos que são Grohl, Jones e Homme?

Os céticos tinham sua parcela de razão se previam que este álbum seria um embuste ou uma decepção: estivemos testemunhando, nestes últimos anos, uma carrada de “superbandas” atingindo resultados duvidosos e nos fazendo suspeitar que gananciosas intrigas corporativas, muito mais do que projetos artísticos consistentes, eram os verdadeiros móveis por trás dessas uniões. Chris Cornell, p. ex., juntou-se a Tom Morello e sua cozinha, mas o Audioslave não se tornou exatamente um monstro mítico que juntasse o poder de fogo do Soundgarden e do Rage Against the Machine. O grupo se desfez depois de 3 bons álbuns (num caso em que ser “bom” é quase uma vergonha: esperava-se deles nada menos que “de-excelente-pra-cima”!), e a “ressaca” pós-fim-de-banda pareceu deixar Cornell desnorteado, sem-noção e na pior fase de sua carreira (a julgar por seu medonho álbum solo mais recente... que saudades de Euphoria Morning e de Superunkown!).

Já Scott Weiland uniu esforços ao Slash, mas o Velvet Revolver ficou longe de ser tão explosivo quanto o Guns N Roses ou o Stone Temple Pilots na história do rock moderno. Jack White, por sua vez, também meteu-se em “projetos” grandiosos – o Racounteurs e o Dead Weather – sem conseguir algo que se assemelhasse ao que conquistou com a genial simplicidade do White Stripes. O que impediria, pois, o Them Crooked Vultures de se tornar mais um tiro no escuro, e um tanto fora do alvo, destinado a se tornar um “item menor” na discografia de seus membros?

É que superbandas e superbandas... Algumas são montadas pelas grandes gravadoras e produtores, interessados num grande estouro comercial que lhes encha o rabo de verdinhas - e nada parece mais promissor que juntar no mesmo time músicos de bandas famosas, “raptando” para o novo grupo os fãs somados das bandas-de-origem dos membros... Mas há “superbandas” que se juntam de modo muito mais genuíno e espontâneo: pois os artistas se admiram, apreciam os trabalhos uns dos outros e sentem um baita tesão com a idéia de tocarem e criarem algo juntos.


Este segundo caso é claramente o que se aplica aos Crooked Vultures. O importante a frisar é aqui não estão caras jovens, deslumbrados com a fama e querendo fazer sucesso a qualquer preço. Todos os três já possuem pançudas contas bancárias, milhares de fãs devotos e reconhecimento artístico de sobra: já estão muito além das mesquinharias do pop.

Os que são (justificamente) céticos em relação às superbandas – que por vezes soam mesmo como o equivalente dos arrasa-quarteirão hollywoodianos: muita pirotecnia e efeito especial, mas conteúdo pífio e história tosca – podem ir sem medo ao Crooked Vultures. This is the real thing! A sonzeira matadora que este debut magistral carrega em seus dez mil decibéis de potência é um advogado de defesa perfeito, nos provando que química, entusiasmo, criatividade e pegada não faltam a estes três músicos no topo de seu jogo.

Desmorona logo às primeiras músicas qualquer suspeita de que isto pudesse se tratar de um “projeto paralelo” (“cada uma que inventam!”, ralhou Josh Homme numa entrevista ao deparar com este rótulo indigesto!). Nenhuma banda com 3 músicos deste naipe, que são ouro maciço do mais puro quilate, merece ser rotulada como “projeto paralelo” (no sentido de algo secundário e periférico em relação às “bandas centrais”). E certamente o Crooked Vultures não está sendo vista assim (como um mero “projetinho de lazer”) por nenhum de seus integrantes.

Dave Grohl e Josh Homme já são amigos de longa data – tanto que já tocaram juntos em Songs For The Deaf, álbum de 2002 do Queens. Os dois já tinham combinado faz tempo que trampariam juntos “assim que os calendários batessem” e parecem muito empolgados com a chegada deste momento. Mas não parecem ser camaradas daqueles que se zoam por serem uns cuzões, mas muito mais do estilo “lendas vivas que se respeitam”.

E talvez seja preciso ser músico para entender o tesão quase sexual que Josh e Dave devem sentir ao pensar: “bloody hell, 'tamos tocando com o cara do Led Zeppelin!” Mas o imenso prazer de estarem juntos, que transparece claramente no álbum, certamente não apaga a “responsa” que uma união destas carrega. E eles não fugiram dela, nem deixaram de honrá-la: este é certamente um dos discos de estréia mais responsa da década. E já nos faz começar a torcer para que não seja o único.

A sensação que fica, logo às primeiras ouvidas, é que eles quiseram fazer algo clássico, o que é irrealizável sem que se tome certos riscos e sem que se negue a trilhar as estradas mais fáceis. E é bem provável que o tenham realizado: não temos ainda o veredito da história, que só as décadas futuras darão, mas este é o tipo de álbum que causa um terremoto tamanho quando o ouvimos as primeira vezes que soltamos expressões exageradas (“clássico instantâneo!”) achando que são as únicas “mots justes” que fazem juz a nosso entusiasmo...


Que Josh Homme é um mago-das-guitarras dum punch fenomenal já sabemos faz tempo. Desde sua puberdade no Kyuss, quando mal tinha pêlos no saco mas já era dono do ampli mais diabólico do deserto, Homme vêm reinventando o instrumento como poucos músicos vivos. Mas neste álbum ele se supera: passeia por riffs, licks, hooks e solos com tamanha verve e feeling que mereceria o apelido de Capitão Gancho – como bem sabe quem foi “enganchado” por “New Fang”, o excelente primeiro single.

“Elephants” é mais mastodôntica que qualquer coisa que Jack White já tenha feito – e pesa, sozinha, toneladas mais do que o clássico álbum dos White Stripes. Quem curte o tal do “heavy metal inteligente” (andam dizendo que isso existe...), certamente irá se esbaldar com esta sonzeira que remete ao stoner-rock das antigas ao mesmo tempo que pisca os olhos para o Mastodon ou para o Converge, celebradas bandas do novo metal.

Já “Scumbag Blues” nos leva para um chapado rolê pelo lado mais noisy dos anos 60, evocando o Cream e o Blue Cheer, com a tecladeira de Jones e a cantoria à la Jack Bruce de Homme tornando-a uma pepita digna de figurar no Disraeli Gears.

Inúmeras provas se encontram neste álbum matador de que Josh Homme não está interessado em desfilar seu virtuosismo como fazem os estranguladores-de-peru profissionais, à maneira de Steve Vai e Malmsteen. Homme é um músico econômico, conciso e preciso. O que não impede seu som de ser luxurioso e sofisticado, ao mesmo tempo robótico e dançante, pesado mas cheio de groove, e que vai transando com perfeita química com as linhas de Jones e a batera de Grohl. Por todo canto do álbum estão “ganchos” irresistíveis que certamente seriam aprovados por Jimmy Page, Angus Young ou Keith Richards – e que nós, reles mortais, também ouvimos com a plena empolgação de nossos pescoços head-bangantes e nossas air-guitars esporradas.


Ouçam o solo matador de “Warsaw”, que mais parece uma gaita harmônica que atravessa um pedal wah-wah, e tentem não pirar com a molecagem esperta de Homme. Eis um guitarrista que brilha ao apostar na simplicidade memorável muito mais do que na complexidade dispersiva. Ele costuma centra foco em sequências breves de notas, que entram numa espécie de loop, tão cativantes e memoráveis que voltam para assombrar nossas insônias ou nossas filas-de-espera. O efeito é chapante, sublime, mortífero!

Até suspeito que daqui a algumas décadas, quando os historiadores da guitarra olharem para trás tentando encontrar, nesta década que se acaba, os grandes inovadores e subversores das 6 cordas, talvez os encontrem principalmente em Homme e Frusciante.

Como vocalista, Josh também mostra-se cada dia melhor e mais confiante: sua voz soa expressiva, agradável e cool. Ele nada têm das frescurites e exibições-de-culhão de muitos “cantores de rock pesado” (não está tentando ser Dio ou Dickinson, e nem tem potência de voz pra isso); mas criou um estilo vocal próprio e que mostra-se a cada dia mais versátil. Quando o esporro se acalma, pode-se ouvir mais claramente toda a beleza do seu canto - como acontece em vários momentos da power-balada “Bandoliers”, onde ouvem-se claramente as lições que aprendeu com seu camarada Mark Lanegan. Decerto que falta a Josh o vozeirão rouco e sujo-de-uísque que o vocalista do Screaming Trees emprestou a algumas sublimes músicas do Queens, mas a imitação/homenagem que ele faz a Lanegan é digníssima. Até seu “ataque” vocal mostra-se capaz de ferocidades quase juvenis: como quando canta “Reptiles” ou declama, no maior gás, o refrão in-bloomesco de “Mind Eraser, No Chaser”.

As letras, também, estão excelentes – ainda que grande parte dos ouvintes “passe batido” por elas, sem entendê-las, por serem altamente crípticas e misteriosas. Josh parece estar escrevendo uma poesia suja e contracultural que nos faz suspeitar de uma certa influência de Brody Dalle, a líder dos Distillers com quem Josh é casado e têm uma filha. "I know how to burn with passion / Hold nothing back for future raction!”, canta Josh logo na primeira canção do Crooked Vultures, “No One Loves Me & Neither Do I”. E o ouvinte acredita plenamente que está, sim, frente a um homem que sabe arder de paixão e que não poupa nada para usar no futuro. “Use me up! Use me up!”

“I know how to get lost in lust / Not because you should, but because you must”, canta ainda Josh, soando deliciosamente herético nesta celebração da luxúria como um “must” (o que já ficava claro no magnífico videoclipe de “Go With The Flow”, do Queens, uma das mais acachapantes experiências sensoriais em clip da década!). Provando que hedonismo não é futilidade nem ignorância, Josh canta a beleza da entrega ao oceano de sensações da vida. Não acho que seria exagero dizer que é uma inversão de valores a que ele vem proclamando, quase nieztschianamente: um apelo para que Dionísio, com guitarras em punho, levante-se contra o Apolo e seu séquito de almofadinhas, coroinhas e salta-pocinhas!

“Innocence has no resistance / Against a wicked counselor / Such as I am”, canta em “Scumbag Blues”, brincando de ser uma “tentação encarnada” à qual “inocente” algum saberá resistir. Mais à frente, na música em que cria o brilhante neologismo com o cruzamento entre “amor” e “Calígula”, canta: “Darling, there are no taboos in lust!” Já na música dedicada a seus amigos-rua-sem-saída (ótima expressão, aliás!), garante: “Law is just a myth to herd us off the cliff”.

É como se a “luxúria”, que o mundo careta sempre insistiu em considerar pecaminosa, e que o cristianismo transformou em crime e os padres nos proibiram através de mitos (“law is just a myth...”), é celebrada e transformada em musa por esta luxuriosa entidade artística que são os Crooked Vultures. Este estilo-de-vida que entrega-se às “misérias da carne” e aos sujíssimos “prazeres dos sentidos”, como dizem os chatos-de-galocha de todos-os-tempos, é retirada do opróbrio e alçada a um trono. Para o Crooked Vultures, viver de verdade é abrir as portas da percepção, vastamente, ao tumultuoso e luxuriante universo das sensações. Não para se perder “futilmente” nelas, é claro, já que por trás de tudo há um profundo “sentimento de missão” que Josh canta faz tempo – como naquele seu verso clássico do Queens, em “Go With the Flow”: “I want something good to die for / To make it beautiful to live”.



Se há uma certa influência da lírica sombria característica do grunge, tanto no Queens quanto no Crooked Vultures, isto é sempre transcendido e superado: eles jamais estacionam nas sombras. Vejam, por exemplo, que há escondida nos meios de “Elephants” um momento de trevas quase soundgardenianas, que remetem a “Black Hole Sun” ou mesmo a “Crown of Love”, do Arcade Fire. Mas o interlúdio sombrio está lá só para que no momento seguinte uma imensa onda afogue o desânimo com carradas de entusiasmo. Josh canta: “No, I can never stay melancholy for long / I've got the memory of your face” [ Não posso permanecer melancólico por muito tempo / Possuo a memória do teu rosto]. Ao fim desta música, Homme celebra sua própria mutabilidade eterna e sua imunidade contra a melancolia - e conclui com o genial verso/corruptela: “I can never stay anything for long”.

Nem tudo é perfeito neste álbum genial, porém. Muitos ouvintes acharão “Interlude With Ludes” de um experimentalismo meio mala e torcerão para que o esporro rocker retorne logo. Já “Caligulove”, com seu jeito canhastrão, é uma das poucas músicas onde a lírica joshiana, sempre tão criativa e afiada, soa um pouco afeita à clichês: “I don't need a reason, baby / Put your arms around me”, canta Josh, parecendo um Al Green sedento por um let's-stay-together (ao menos por esta noite!). O clima é quase de pornografia e perversão – bem ao estilo do filme de Tinto Brass que “celebra” a devassidão de Roma sob o império de Calígula...

É uma safadeza que remete a uma das músicas recentes mais charmosas do Queens: “I Wanna Make It Witchu” - na qual o “it” do “make it” não refere-se, certamente, a jogar xadrez ou dominó. Talvez sejam estas as piores música do disco, mas isto não as desqualifica – do mesmo modo que ser a pior música de Nevermind ou Back In Black é coisa digníssima, ser a pior música do Crooked Vultures é ainda ser uma bela coisa. Sem falar que músicas que se chamam “Interlude With Ludes” e “Caligulove” não tem a mínima necessidade de serem boas: títulos tão sensacionais dispensam as músicas de quaisquer outros deveres!



Pra Josh Homme, não há sentido em ter uma banda se não for para fazer a música que você sempre quis ouvir. A música que te dá tesão, que te causa uma ereção, que é vulcão em erupção! Ele mesmo descreve seus objetivos nestes termos: sempre tentou compor álbuns que ele mesmo gostaria de pôr no som ou na vitrola e curtir adoidado. Os discos do Kyuss? Ele garante que os ouve direto – e os adora. Resume seu evangelho numa fórmula magistral: “Make your favorite music or go fuck yourself”.

Concepção que Dave Grohl também deve ter abraçado em muitas fases de sua vida, e que talvez tenha perdido um pouco sendo um rock star do mainstream à frente dos Foo Fighters, mas que ele certamente recupera neste “retorno-ao-autêntico” que dá com o Crooked Vultures. A sensação que temos é que Grohl toca bateria, neste disco, como se estivesse redescobrindo o que é o verdadeiro rock and roll. Ele não somente é extremamente preciso; toca com entusiasmo, fazendo a bateria parecer algo vivo e pulsante, e não um ritmado mecânico que algum robô poderia imitar. Dave Grohl toca como nenhuma bateria eletrônica existente do mundo, ou que venha a ser inventada, é capaz de fazer: injetando vida no ritmo e expressão às pancadas.

E Jones? Ele, que nos últimos anos andou produzindo loucuras de Diamanda Galas e dos Butthole Surfers, parece aqui reencontrar... sim! os tempos de rock and roll em plena curtição que viveu com o Led Zeppelin! E estou longe de achar que ele encare este projeto como algo secundário em seu percurso como músico, como se o mais importante tivesse ficado para trás... Deve ser também pra ele um grande orgulho e prazer estar fazendo um som com estes dois “moleques” que estão entre as mentes mais brilhantes do rock dos anos 90 e 00.

Os três, juntos, soam como camaradas inspirados numa jam, sim, mas não exatamente “descompromissada”: uma jam dentro da qual todos os participantes sentem que estão prestes a criar algo seminal. Neste sentido, os Crooked Vultures podem até ser vistos como dotados de um certo espírito “jazzístico”, já que no jazz os “super grupos” existem de longa data: pensem no exemplo supremo e clássico absoluto, Kind Of Blue, que reuniu Miles Davis, John Coltrane, Cannonball Adderley e Bill Evans!

“Can't afford to lose my cool”, canta Josh em “Warsaw”. Mas o Crooked Vultures não conseguiria perder o cool nem se tentasse. Como ensinavam os Sonics, banda garageira dos anos 60, que Homme certamente curtiu muito, estes caras conseguem numa bowa conquistar a virtude do roqueiro veterano: ir maintaining his cool. O que ouve-se em todos estes 66 minutos do debut dos Crooked Vultures é uma banda que não têm ansiedades neuróticas nem exibicionismos narcísicos – e que por isso soa desencanada e poderosa, original e aventureira, cheia de entusiasmo e frescor, na curtição suprema de um rock and roll fodástico. O resultado é um discaço estupendo, que emerge dos lodaçais do pop como um monstro do pântano, contendo uma concentração rocker explosiva e intensa, coquetel perfeito para encerrar a década com um esporro impecável.

DOWNLOAD:
http://www.mediafire.com/?nj0xyl30wmg
[zip inclui capa e letras]

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

:: The Evil Powers Of Rock'n'Roll ::



OS PODERES MALÉVOLOS
DO ROCK AND ROLL


- Celebradores das drogas, do barulho e de Satã, os punks-caipiras alucinados do Supersuckers desembarcam no Brasil como headliners do Goiânia Noise 2009 -

por Eduardo Carli de Moraes


Há bandas pra quem o rótulo "sex, drugs and rock'n'roll" não presta: é muito suave e comportadinho... Seria preciso dizer wild sex, heavy drugs and kick-ass rock'n'fucking'roll (agora sim!). No caso dos malucos do Supersuckers, bandinha selvagem e sacrílega como o capeta, a música não precisa ser nada além de uma festa de arromba. Pra eles, os excessos e a luxúria são lei - e a moderação, uma bobagem. Na Bíblia eles botam fogo; só seguem o que disseram os profetas de Mate-me Por Favor!.

Ratos do deserto, como era o Kyuss, o Supersuckers começou a levantar poeira em Tucson (Arizona) com seu cruzamento de punk-rock com country e rockabilly ainda nos anos 80. Profetizando que algo quente estava para acontecer no Noroeste americano, mudaram-se para Seattle, onde lançaram via Sub Pop o debut The Smoke of Hell (1992), com capa desenhada pelo guru-das-HQs Daniel Clowes. Na sequência, lançaram seus grandes álbuns noventistas, La Mano Cornuda (1994) e The Sacrilicious Sounds (1995), injetando hedonismo e sacanagem em doses cavalares no choroso e lúgubre cenário do grunge.

A simplicidade furiosa do ataque rocker remete a Cramps, Ramones, Undertones, Butthole Surfers, Reverend Horton Heat ou Rocket From the Crypt. Já uma certa pitadinha de hard-rock os aproxima do som dum Hellacopters ou dum Sahara Hotnights. Além disso, uma certa paixão pela música de raiz americana os transforma nesta coisa bizarra: punks que são fãs de Willie Nelson! (E que já gravaram um álbum inteiro de "country" em Must've Been High). "O Supersuckers – cujos ecos hoje podem ser encontrados em algumas bandas brasileiras, como Matanza e Forgotten Boys – ensina com perfeição como assimilar influências interioranas (no caso, um pé no country e outro no billy) sem perder peso e viço", escreve o Abonico R. Smith.


Os Suckers meio que seguem o evangelho de Jagger e Richards : "I know it's only rock and roll - but I like it!" Têm nomes artísticos estúpidos e hilários, que parecem ter sido inventados por um adolescente chapado duns 11 ou 12 anos (que tal um vocalista que se chama Eddie Spaghetti?!?). Eles têm fama de serem uns machistas nojentos, que tratam as mulheres como bonecas infláveis ou vadias - tanto que fizeram por merecer o rótulo de "whitrash". Pra curar ressaca, continuam bebendo, e só param quando desmaiam. Eles falam grosso, arrotam alto, peidam em público e escarram no chão, à entrada do saloon. Já assistiram todos os filmes de John Wayne e adorariam que ele tivesse vivido para ser dirigido por Quentin Tarantino. Não tem a mínima misericórdia pela saúde de nossos pobres tímpanos e só querem saber de viver uma "kick-ass life".

Esses suckers, que se auto-celebram narcisicamente como a banda de rock and roll mais foda do planeta, querem mais é conduzir seus ouvintes a atos de devassidão e alcoolismo, enquanto garfam as groupies e fazem canções de apologia ao pó e à marijuana não-viciante - sempre tocando turbinados por all kinds of booze... Em suma: uns docinhos de meninos, orgulho da mamãe!

E o melhor: eles estão vindo nos visitar... Arrumemos a casa, brazilians! Ou melhor: nos preparemos para tê-la destruída!...

* * * * *

INFO: A banda é a grande atração internacional do 15º Goiânia Noise, que ocorre dos dias 25 a 29 de Novembro, contando ainda com a presença do Dirty Projectors, Hermeto Pascoal, Móveis Coloniais de Acaju, Mercenárias, Bang Bang Babies, Sapatos Bicolores, The Name, entre muitos outros. Depredando estará lá cobrindo! O Supersuckers toca no dia 27/11, no Centro Cultural Martin Cererê (Rua 94-A, Setor Sul), com abertura dos chilenos do Guiso, dos gaúchos do Walverdes e dos goianos do MQN. O ingresso antecipado sai por 20 pilas; já o passaporte para assistir o festival inteiro morre por 50 continhos. A banda ainda toca em Sampa, no Clash Club (Rua Barra Funda, 969), no dia 28/11, às 20h - R$70 na porta, R$ 50 antecipado.

Nóóóise!


1992 - Smoke Of Hell


1994 - La Mano Cornuda
1995 - The Sacrilicious Sounds...




1999 - The Evil Powers Of Rock'n'Roll

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

:: café & tv em marrocos ::

Ferramentas – Efeitos – Blur. Foi mais ou menos assim que conheci a banda de Damon Albarn, brincando de destruir jotapegues no Photoshop. Incrível como a onipresente Adobe – que hoje em dia é como a Bosch, faz de carros a ímãs de geladeira – não o processou por uso indevido do nome da ferramenta. “Embaçado”, ouvi dizer na rua um jovem rico em léxico e temerário em traduções livres. Pois bem: empolgado com a canção número dois, comecei a me jogar contra a parede, com toda a força, como se estivesse praticando alguma espécie de le parkour indoor. Melhor, inroom. A cama atrapalhou um pouco, principalmente antes de eu ter a idéia de pregá-la na parede, para amortecer as pancadas. Quase nenhum tempo passado disso, abri a geladeira e abri uma caixa de suco de laranja. Não tomo leite. Estampada atrás na caixa, havia a foto de um grande amigo meu, desaparecido e ao mesmo tempo funcionário do mês em uma grande loja de departamentos. Parece mentira, mas depois disso, aconteceu a coisa mais surreal da minha vida. Fui até a tal grande loja de departamentos, e lá havia uma piscina de lona, vários discos jogados, aleatórios, sortidos e redundantes, por apenas uma nota de dinheiro, das vermelhas. E lá jogado havia um Think Tank. Grande amigo? Que grande amigo?

DOWNLOAD (52 mb)
http://www.4shared.com/file/113183417/573395e4/Blur_-_Think_Tank.html?s=1

domingo, 15 de novembro de 2009

:: sôdade matadera ::

:: Ó PEDAÇO DE MIM ::
Canções Sobre a Saudade
por Eduardo Carli de Moraes

"Ó pedaço de mim, ó metade exilada de mim..."
(Chico Buarque)


O sentimento talvez seja universal; mas a palavra para dizê-lo é um dos privilégios e orgulhos maiores do idioma lusitano. Tradutores gringos suam sangue tentando vertê-la para outras línguas e acabam classificando-a entre os vocábulos mais intraduzíveis que já encararam. Quem já não ouviu algum falante do purtuguês se vangloriando de que não se encontra equivalente de "saudade" nas outras línguas, mesmo as mais chiques? Os ingleses dizem "i miss you", mas não há nisso nem um grão de poesia ou lirismo... E os frances, coitados, só têm um verbinho manco, quase perneta: "manquer". Como é que se viram, os gringos, não tendo palavra pra dizer duma paixão d'alma tão fundamental? É, Riobaldo, pra "muita coisa importante falta nome"!

A saudade é um galho da árvore da solidão: segundo tio Aurélio, vem do latim solitate (soledade, solidão...). É a "lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las; nostalgia". Como aqui: “Saudade! és a ressonância / De uma cantiga sentida, / Que, embalando a nossa infância, / Nos segue por toda a vida!” (Da Costa e Silva, Pandora, p. 83).

É isto de estar no presente como se está no exílio, tendo o passado o sabor de pátria, de ninho, de mãe. Ou a poética alegria de quem espia, com o olho da mente, suas caixinhas de recordações e álbuns de fotografia, agradecido pelo vivido, fiel ao memorizado. Ou este desejo de retorno aos instantes tão doces e memoráveis que quer-se revivê-los num eterno replay. É possível até ter saudade de coisas que nunca se teve e de lugares que não existem (quanta Bandeira não tinha de Pasárgada!).

É este misterioso sentimento que faz com que se apague toda a imensidão cósmica que temos diante dos sentidos e faz com que a consciência e o desejo se lancem de cabeça, numa doida vontade de outro tempo e outro lugar, onde o coração tem seu sustento e seu alimento - far far away... O sábio jagunço Riobaldo já sabia: "tem horas antigas que ficaram muito mais perto da gente do que outras, de recente data." (Grande Sertão: Veredas, pg. 78, José Olympio, 6a ed).

Há saudades alegres, nostalgias que deleitam, passados perdidos que trazem aos olhos lágrimas de felicidade... Num gingado cheio de malandragem, Chico Buarque chega relatando suas memórias da mocidade, cheia de "prazeres moleques", numa das mais hilárias canções da Ópera do Malandro. "Ai, que saudades que eu tenho dos meus 12 anos, que saudade ingrata! / Dar banda por aí, fazendo grandes planos e chutando lata. / Trocando figurinha, matando passarinho, colecionando minhoca. / Jogando muito botão, rodopiando pião, fazendo troca-troca. // Ai, que saudades que eu tenho duma travessura, um futebol de rua. / Sair pulando muro, olhando fechadura e vendo mulher nua. / Comendo fruta no pé, chupando picolé, pé-de-moleque, paçoca. / E disputando troféu, guerra de pipa no céu, concurso de pipoca...". É Chico brincando de Amélie Poulain!

Sobre "Chega de Saudade" nem é preciso falar muito: o marco-zero da bossa-nova, primeiro hit do jovem João Gilberto, já foi mil vezes regravada (inclusive pelos bã-bã-bãs Tom Jobim e Vinícius de Moraes) e está entre as mais conhecidas pérolas do cancioneiro popular brazuca. Quem é que não sabe cantar? "Pra acabar com esse negócio de você viver longe de mim...". Este clássico é tão clássico que o trazemos aqui em duplinha: primeiro, a versão tropicalista-carnavalesta de Rogério Duprat; depois, a de João.

O trompete choroso, cálido e acarinhante de Chet Baker destila saudosas notas também no lindo cool-jazz "There Will Never Be Another You". Aqui, a mulher amada e perdida é vista como insubstituível e inesquecível (como naquela outra: "unforgetable, in every way..."): "There may be other lips that I may kiss / But they won't thrill me like yours used to do / I may dream a million dreams / But how can they come true / When there will never ever be another you?" Canção de apaixonado, que sente a falta de sua preciosidade maior, na falta e na ausência do que é, para si, o melhor. Comovente na sussidão como só Chet calha de conseguir...


Músicas em tributo aos mortos também saem, por vezes, saudosíssimas. É o caso da homenagem prestada por Chris Cornell ao finado Jeff Buckley em "Wave Goodbye", um dos destaques do excelente álbum solo de estréia do gogó fenomenal que berrava no Soundgarden e no Audioslave, Euphoria Morning. Feita como se fosse para descer, como uma borboleta no escafandro, Mississipi abaixo, para encontrar o cadáver de Jeff ali, no fundo do rio do blues. A poesia de Cornell poucas vezes esteve tão afiada, e poucas de suas canções soam mais comoventes e sinceras. Tanto que jamais ouvi de ninguém qualquer tipo de ironia sugerindo um "crush" homossexual entre estes dois. Rilke dizia: "Desça até bem fundo: a ironia não chega até lá...". É o que Chris fez nesta matadora canção-de-amor e adeus à Jeff Buckley:


Every hurtful thing you ever said
Is ringing in your ears
(When you miss somebody)

And every thing of beauty that you see
Only brings a tear
(When you miss somebody)

You tell yourself everything will be allright
Try to stand up strong and brave,
when all you wanna do
Is lay down and die.


Pra não dizer que não falamos em blues... Quer material mais propício para uma dolorenta blueseira do que estar "homesick" ou "missing someone"? É ela, a saudade, o combustível da sensacional "It Hurt So Bad", de Susan Tedeschi, que entrega-se a uma performance vocal tão apaixonada e catártica que é difícil não compará-la à ferocidade de Janis Joplin. Aqui o aspecto sexual se intensifica, já que Susan descreve em seguidos versos todas as sensações corporais deleitosas de que sente falta: "I miss the arms that used to hold me / The tender way we used to kiss / I miss the way that you touch me / I miss the sweet taste of your lips...". Tudo isto entregue com tamanha catarse, num jorro de emoção tão autêntica, que trará lágrimas de excitação aos que abrirem seus tímpanos. E, no finalzinho, putzgrila... que gemidos! Que urros! Que fenômeno não deve ser essa mulher na cama!...

A melancolia chega perto de transbordar o cálice, e afogar o pobre ouvinte, na melodramática e carregada "Lonesome Tears", canção da fase mais "down" de Beck. Pelos idos de 2002, o menino Hansen terminou um relacionamento amoroso de mais de 10 anos; na tentativa de curar suas feridas, exorcizar seus demônios, transformar em canto suas memórias, compôs um dos álbuns mais sublimes e tristes de sua carreira: Sea Change.

Aqui as "lágrimas solitárias" já secaram, já foram reconhecidas como inúteis e ruinosas, e agora sobrou o desejo de "apagar" certos dias - talvez por terem sido bons demais e, por isso, insuportáveis demais quando não se tem ao lado a pessoa com que foram vividos. "I'll try to leave behind some days / These tears just can't erase / I don't need them anymore". Ao mesmo tempo sofrida e estóica, aflita e resignada, a canção traz Beck falando sobre a mutabilidade eterna dos assuntos do coração: "How could this world, ever-turning, never turn its eye on me? // How could this love, ever-changing, never change the way I feel?"

Mas a melancolia beckiana ainda encontra uma certa redenção no crescendo musical que ergue tão tristes sensações a um nível sublime... Já a melancolia de "Pedaço de Mim", uma das mais dilacerantes baladas da música brasileira, é de um pesadume quase insustentável: Chico nos recusa qualquer consolo. Aqui, o clima é mais de luto, de perda irreparável, de coração mutilado, do que de uma falta remediável. A saudade, aqui, é o "pior tormento" - "é pior que o esquecimento...". É uma saudade que lateja tanto, que sangra tanto por dentro, que quer-se, de qualquer modo, desfazer-se dela: "não quero levar comigo a mortalha do amor...". O clima é mais de "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças": uma memória purulenta que, se se pudesse, ter-se-ia cirurgicamente removida...

Aqui estão em foco as saudades impossíveis: a falta de alguém que já morreu, ou daquilo que já se perdeu e sabe-se que não se reencontrará. "A saudade é o revés de um parto... / A saudade é arrumar o quarto / Do filho que já morreu". Triste sentimento da espera inútil, do desejo vão, daqueles que ficam no porto, de olhos molhados, a fitar o horizonte, sempre em vão: "A saudade dói como um barco / Que aos poucos descreve um arco / E evita atracar no cais...".

Marcelo Camelo, um dos mais ilustres discípulos buarquistas, também arriscou-se num território onde Chico foi mestre. Disfarçadamente, o ex-Los Hermano começa "Veja Bem, Meu Bem" fingindo que se trata de uma música de traição e de abandono: diz pra moça que sente muito por informar, mas que arranjou outro alguém pra lhe confortar, uma ajuda pra passar pelos dias ruins... "Pois a solidão deixa o coração neste leva-e-traz...". Na brilhância dessa narrativa, cabe espaço para uma "reviravolta", uma espécie de "final surpresa", bem ao modo de filmes fodásticos como Os Suspeitos ou Seven. "Se eu te troquei, não foi por maldade / Amor veja bem, arranjei alguém / Chamado saudade..." O efeito é maior quando se ouve pela primeira vez, decerto, mas continua presente nas outras ouvidas.

Ecoando as metáforas de Chico em "Pedaço de Mim", Camelo novamente evoca situações náuticas para descrever seu desalento na espera: "Enquanto isso, navegando eu vou sem paz / Sem ter um porto, quase morto, sem um cais...". Não é surpresa que tantos barcos e navegações apareçam como fantasmagorias poéticas nas canções nacionais sobre a saudade: suspeita-se que o vocábulo "pegou" mesmo quando os portugas pós-Cabral começaram a cruzar os oceanos, aportando inclusive na terra do pau-brasil, e começaram a sentir aquele "sôdade matadera" de que fala Caymmi. A saudade é um estar-a-navegar longe de casa, sem terra à vista, numa canoa embalada pelas tristonhas ondas da esperança...

E pra não acusarem a saudade de ser um sentimento pequeno burguês, de gente que só sabe levar em conta a esfera privada, ouçamos um das mais lindas baladas do Grandaddy, a banda mais saudosa do mundo hi-tech. Jason Lytle e seus comparsas do Vôvozinho, em toda sua obra, manifestaram a falta que faz o idílico mundo anterior à Era da Informática - antes dos ares-condicionados nas matas e dos aviões comandados por robôs. "Crystal Lake", talvez a mais bela música da banda, é nostalgia bruta, embalada por um desejo místico de retornar ao "lago de cristal", para longe desta frenética zona criada pelo homem moderno e sua sinfonia de celulares, PCs e ciborgues: "Should never have left the crystal lake / For areas where trees are fake / And dogs are dead with broken hearts / Collapsing by the coffee carts...".



Pra que não falem que francês não manja nada desta doença do coração manco (un coeur que manque...) ouçam a primeira-dama da terra de Napoleão, a esposa de Sarkozy, a musa Carla Bruni. Em "Tout le Monde", de seu disco de estréia, ela alça vôo para uma generalização sobre a humanidade: "todo mundo tem uma infância que ressoa no fundo de um bolso esquecido", canta ela, além de "restos de sonhos e cantos de vida devastados". E ela pede que reclamemos junto às autoridades uma lei que impeça que pessoa alguma possa ser esquecida: "...que personne ne soit oublié!"

E já que a saudade não é somente musical, mas altamente cinematográfica, ouçam "As Time Goes By", pra lembrar de Casablanca e do dueto mágico de Bogart e Bergman: o modo com uma memória que é ferida e mágoa, ao passar por uma cirurgia a dois, torna-se gratidão e doçura. "We'll always have Paris..."

Haveriam dúzias de outras que poderiam figurar aqui, nesta humilde coletinha. Mas ela não pretende ser nada mais que uma seleção subjetiva, eclética e viajante, centrada nas que mais tocam aqui nos meus tímpanos, que mais me tocam o coração, sem outra razão para serem gostadas fora o serem ótimas descrições da vida, em tantos de seus momentos... Pra terminar, passo a palavra a um que muito bem soube sofrer e cantar as amargas doçuras da sôdade matadera:


Meus caros, volta-se porque se tem saudade
Porque se foi feliz intimamente
Volta-se porque se tocou num inocente
E porque se encontrou tranquilidade

A despeito da vida que acorrente
Volta-se, volta-se para a sinceridade
Volta-se sempre, tarde ou de repente
Na alegria ou na infelicidade.

E nada como esse apelo da lembrança
Pra se transfigurar numa esperança
Essa desolação que uma alma teve

Assim é que, partindo, eu vou levando
Toda a desolação de um até quando
Num ardente desejo de até breve.

(Vinícius de Moraes)




TRACKLIST:

01. ROGÉRIO DUPRAT, Chega de Saudade
02. JOÃO GILBERTO, Chega de Saudade
03. CHICO BUARQUE, Doze Anos
04. CHET BAKER, There Will Never Be Another You
05. SUSAN TEDESCHI, It Hurt So Bad
06. CHRIS CORNELL, Wave Goodbye
07. LOS HERMANOS, Veja Bem Meu Bem
08. BECK, Lonesome Tears
09. GRANDADDY, The Crystal Lake
10. CARLA BRUNI, Tout Le Monde
11. CASABLANCA SOUNDTRACK, As Time Goes By
12. CHICO BUARQUE, Pedaço de Mim

terça-feira, 10 de novembro de 2009

:: Yael Naïm ::


:: UNE VOIX TRÈS JOLIE! ::

A talentosa francesa Yael Naim desembarca
em Sampa para 3 imperdíveis shows



"I'm a new soul, I came to this strange world
Hoping I could learn a bit bout how to give and take
But since I came here, felt the joy and the fear
Finding myself making every possible mistake..."



Nascida em Paris uns 30 anos atrás, de pais tunisianos, ela foi criada em Israel, numa cidadezinha perto de Tel Aviv, onde fez 10 anos de aula de piano clássico, cantou em bandas militares e furou seus LPs dos Beatles, da Aretha Franklin e da Joni Mitchell de tanto ouvi-los. Em 2000, visitando sua Paris natal, chamou a atenção de produtores e, instantes depois, tinha um contrato assinado com a EMI para o lançamento de seu álbum de estréia, In a Man's Womb (de 2001). Ela mesma considera seu debut um começo de carreira desapontador e que gerou anos de silêncio - até que ela tomasse coragem para sua nova aventura musical. Retornando em 2007, neste disco gravado com a ajuda do multi-instrumentista David Donatien, Yael Naim finalmente encontrou sua voz e um grande sucesso: na França, por exemplo, chegou no topo da paradas de discos vendidos, façanha enorme para um álbum cheio de canções em hebraico! O grande hit do álbum, a irresistível e linda baladinha feliz "New Soul", foi usada num comercial da Apple; e a publicidade, nesse caso, serviu para bombar uma artista que bem merecia ser mais conhecida. Outro destaque do álbum é a corajosa cover de "Toxic", de Britney Spears, que, sem brincadeira, ficou um primor! Neste adorável álbum, essa guria franco-israelita cometeu uma pequena obra-prima, uma bolachinha que leva a sussidade e a suavidade a graus de beleza que não víamos desde In Between Dreams, do Jack Johnson. Certas semelhanças podem ser apontadas com o som da Feist, da Tori Amos ou da Joni Mitchell, mas Yael Naïm tem um sabor todo próprio e viaja num universo bem pessoal; isso é world music de crásse!

"It was when I was really young that I sincerely believed to be an old soul reincarnated and I could even say it gave me a sense of superiority over others. But then as I subsequently did everything the wrong way round I concluded that it was actually my first time on earth and that I should learn to be a more humble..." - YAEL NAÏM

DOWNLOAD (192 kps, 70MB):


A moça faz shows em São Paulo nesta semana, no Bourbon Street (Terça, 10/11, R$ 55) e no SESC Pinheiros (Quinta, 12/11, e Sexta, 13/11, sempre às 21h, R$20) como parte dos eventos do Ano da França no Brasil. Corram que os ingressos estão se esgotando! Depredando recomenda também, a quem for vê-la no SESC, que cole um pouco mais cedo e confira a exposição de fotos de Henri Cartier-Bresson, um dos mais geniais fotógrafos franceses.


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

::THE 13TH FLOOR ELEVATORS::


The Psychedelic Sounds of the 13th Floor Elevators (1966)

Do livro “1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer”


Aclamados em Austin, no Texas, os Elevators já tinham feito shows em São Francisco antes de o movimento psicodélico ganhar importância. Depois, foi preciso ameaça-los com a suspensão do contrato para que voltassem a Austin e gravassem o que seria o primeiro disco de acid rock. O álbum vendeu surpreendentemente bem, graças, em parte, ao sucesso do single lançado um pouco antes, o sarcástico clássico do garage “You´re Gonna Miss Me”, que chegou ao 55º lugar na parada da Billdoard.


Ao promover abertamente os benefícios dos alucinógenos na capa do disco, a banda nunca se tornaria querida pelas autoridades; a polícia do Texas chegou a desmantelar o equipamento do grupo à procura de drogas. “A busca da sanidade em seu estado puro... forma a base das músicas deste álbum”, diz a contracapa, mas a mistura de rock de garagem com R&B nele contida é tudo, menos saudável. “Reverberation (Doubt)” e “Tried to Hide” são de um rock intenso, enquanto “Roller Coaster” e “Fire Engine” têm um tom sombrio e lúgubre. O líder Roky Erickson uiva como se estivesse possuído e os sons alienígenas do jug elétrico de Tommy Hall se somam à distorção geral característica da banda.


Os Elevators não duraram e Erickson tentou uma carreira solo (brilhante, mas irregular). Mas a lenda da banda continua viva, através de versões de grupos como o Spacemen 3 e, mais especificamente, o Primal Scream, que fez uma memorável releitura de “Slip Inside This House” (do segundo disco do Elevators, “Easter Everywhere”) em Screamadelica.

DOWNLOAD:

http://www.mediafire.com/?yyylyjddn30

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

:: warm tiny breads ::

THE SWELL SEASON - Strict Joy
[novo álbum do casal do filme 'Once - Apenas Uma Vez']


DEVENDRA BANHART - What Will Be Will Be



WOLFMOTHER - Cosmic Egg



JULIAN CASABLANCAS - Phrazes For The Young
[1o solo do vocal do Strokes]


TOM RUSSELL - Blood and Candle Smoke



BAD LIEUTENANT - Never Cry Another Tear
[novo projeto de Bernard Summer, do New Order/Joy Division]


WEEZER - Raditude

[ pra baixar, abre a caixinha de comentários abaixo ]

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

:: Procura-se ::


Por onde andará Stephen Fry?
Zeca Baleiro
por Francine Micheli

Sem sombra de dúvidas, "Por onde andará Stephen Fry" (1997) é figura ilustre na categoria de cds-perdidos-no-fundo-da-gaveta-há-miliano-atrás. E num surto de retrocesso, coloquei o bichinho pra tocar sem segundas intenções e tive um pensamento: é possível sim que nos apaixonemos pela segunda vez pela mesmoa pessoa - ou pelo mesmo disco.

Depois de 12 anos, o primeiro cd de Zeca Baleiro rodou repetidamente na minha vitrola e a cada vez era possível descobrir detalhes que eu, no auge da imbecilidade da minha adolescência, nunca tinha tido maturidade suficiente para absorver. É um trabalho conciso, redondo, engraçadíssimo, irônico e muito, muito competente. Disco de ouro na época, considerado pela Rolling Stone um dos melhores discos da década passada.

Ok, deixando os louros de lado, é bom lembrar que esse é o disco que tem o primeiro rock celestial do planeta: "Heavy Metal do Senhor" é uma pachorra talentosa, enquanto abre a porteira pra boiada que vem em seguida. É ponto de umbanda musicado, xaxado, boi-bumbá, róquenrol e uma particularidade: tudo junto sem parecer bairrista.

"Salão de beleza" critica a mania das mulheres de querer ser belas demais - sem soar lugar-comum, e "Parque da Juracy" homenageia Steven Spielberg e Genival Lacerda num techno-forró de lascar a sola do sapato e rachar o bico. Tem também a menos conhecida "Skap", uma declaração de amor simplesmente deliciosa e "Kid Vinil", um converta aos prazeres da tecnologia.

Às vezes, falar da criatividade de Zeca Baleiro pode ser algo meio chover no molhado. Mas quando se ouve o estreante Por Onde Andará Stephen Fry é fácil cair nas garras da sabedoria nordestina que tira sarro do resto do mundo.

E viva a buchada de bode!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

:: Sleater-Kinney For Dummies ::


:: SLEATER-KINNEY FOR DUMMIES ::
por Eduardo Carli

Deve haver algum rótulo psicanalítico horroroso para descrever meu estado - compulsão obsessiva ou fixação no objeto libidinal, quem sabe? - mas eu prefiro descomplicar e dizer: com o Sleater-Kinney, tenho faz anos um tórrido love affair, plenamente correspondido e altamente recompensador, e que pra mim nada tem de patológico. Sleater-Kinney é vida!

Como não amar um punk rock tão empolgante e inflamado, cantado e tocado com uma emoção tão autêntica, turbinado com militância política e comentário social, e que ainda por cima é fruto de três garotas tão irresistivelmente cool? Desde o dia em que pela primeira vez ouvi "You're No Rock and Roll Fun" (um dos meus pet-sounds eternos para um air guitar e um karaokê-esganiçado no chuveiro...), desde a noite em que a melodia de "Little Babies" me deu uma insônia dos diabos por ser tão malditamente inesquecível, desde os momentos em que o crescendo e a catarse absurdos de "Step Aside" me lembraram de que o rock'n'roll é capaz de nos arrancar lágrimas, desde... bem, desde muito tempo atrás que eu guardo esta bandaça como uma das mais queridas de todas as que já conheci.

Nasceram em Olympia, Washington, na Costa do Pacífico, Noroeste dos EUA - cidade já celebrada pelo Rancid numa grande canção de ...And Out Come The Wolves. A princípio, foram uma banda restrita à cena riot grlll, rotulada com a reducionista etiqueta de "punk feminista", na onda do Bikini Kill e seus clones. Mas, a partir de Dig Me Out (1997), o primeiro dos clássicos, provaram ser algo bem mais colossal do que o feminismo e o punk - simplesmente, uma das grandes bandas de rock da América. A revista SPIN, por exemplo, não teve pudores de elegê-lo um dos 40 álbuns da década de 90 (merecidamente). Flertando com a new wave, com o grunge, com a Motown, lançaram mais um punhado de álbuns sensacionais: The Hot Rock e All Hands All The Bad One, clássicos modestos, e One Beat e The Woods, clássicos estrondosos. Em 2005, depois de conquistada uma fama considerável (estavam abrindo shows do Pearl Jam e aparecendo na TV nos David Lettermans da vida), declararam um hiato por tempo indefinido. Enquanto aguardamos, torcendo, o retorno de uma das mais apaixonantes bandas destas duas últimas décadas, é tempo de passear pelos 7 álbuns que as meninas nos deixaram (presentaços)...

Choque-se [shock yourself!] ao notar que um mero power trio (e de "menininhas"!) fabrica uma sonzeira de tão alta voltagem que ganha adjetivos como "colossal" e "monumental" na boca de críticos e fãs. Surpreenda-se notando que nem sente a falta de um contra-baixo na receita, tão certeiros, espertos e criativos são os riffs, licks e pirações da genial Carrie Browstein (recentemente eleita uma das 12 melhores guitarristas-de-calcinha da história do rock). Sinta calafrios na espinha com os gritos primais e as melodias doces e os blues anfetaminados que Corin Tucker, uma das mais comovedoras vozes femininas já a dar o ar de sua graça em disco, tira de seu abençoado gogó. Admire em êxtase enquanto a voz principal vai "transando" com a mais frágil e tímida cantoria de Carrie (The Hot Rock é quase um filme erótico-cult...), tudo ritmado pela batera-ciborgue e infalívelJanet Weiss.

Trago aqui uma coletinha - Sleater-Kinney For Dummies - com 15 sons que considero essenciais para quem ainda não conhece esta preciosidade de banda: privilegiando as musiquetas mais grudentas e fáceis de amar-à-primeira-ouvida, de várias fases e tendências, desde o riot grll primário de "I Wanna Be Your Joey Ramone", do começo de carreira, até as tendências mais épicas/Led-Zeppelianas de One Beat e The Woods. E pra não dizer que tamos miguelando disco, vai aí, além do ...For Dummies, o resto da discografia das moças.

Voilà:

GREATEST HITS [Seleção Depredando] - Sleater-Kinney For Dummies: 01) you're no rock and roll fun; 02) step aside; 03) little babies; 04) i wanna be your joey ramone; 05) oh!; 06) rollercoaster; 07) all hands on the bad one; 08) ballad of a ladyman; 09) get up; 10) wilderness; 11) end of you; 12) jumpers; 13) hollywood ending; 14) leave you behind; 15) sympathy.

DOWNLOAD
: http://www.mediafire.com/?xn2qfyt133y



1995 - Sleater-Kinney

terça-feira, 27 de outubro de 2009

:: pãos ou pães, é questão de opiniães... ::

!!!LINKS NOS COMMENTS!!!

A FINE FRENZY - Bomb In a Birdcage

TIM HECKER - An Imaginary Country

THRICE - Beggars


KINGS OF CONVENIENCE - Declaration of Dependence


TAKEN BY TREES - East Of Eden


FUCK BUTTONS - Tarot Sport

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

:: Kyuss ::

Antes da idade da pedra
- Bernardo Santana -


Lançado em 1992, Blues For The Red Sun foi o segundo — e melhor — disco da curtíssima e ensurdecedora carreira do Kyuss (pronucia-se "cáius", a propósito). Talvez você tenha ouvido falar dos caras como sendo “a primeira banda do cara do Queens of the Stone Age” ou “aqueles doidões que tocavam no deserto”, ou quem sabe como “os precursores do Stoner Rock”, ou algo que o valha… mas o Kyuss merece, com certeza, muito mais que isso na história do tiozão barrigudo que é o rock and roll.

Na época com dezenove aninhos, Josh Homme já mostrava em Blues todo o peso malemolente de sua guitarra. Aliás, na minha humilde opinião subjetiva, nunca mais (e eu disse NUNCA MAIS) desde então o cara soou tão certeiro em seus riffs. O peso bíblico de Writhe, Apothecaries' Weight e Molten Universe que o digam. Mas o grande mérito do Kyuss daquela época — e do disco aqui pirateado, por conseguinte — sobre o Queens, por exemplo, foi contar com muito mais do que a habilidade do molecote Homme para fazer seu barulho.

Diferente das rainhas chapadas de hoje em dia, a banda que gravou Blues contava com um vocalista de verdade, um batera até hoje apontado como influência em som pesado (e baita compositor também) e um baixista que sabia inserir groove verdadeiro no meio da pancadaria. Todas as músicas do disco têm um esmero instrumental impressionante, mas sem a frescura tão peculiar e contraditória do metal atual. Muito mais que seguir o esquema intro-verso-refrão, o Kyuss subvertia as estruturas da música popular, cagando montes pra necessidade de achar refrões ganchudos e congêneres. Aliás, as cinco músicas instrumentais espalhadas por seu segundo disco conseguem a façanha de serem alguns dos pontos altos da bolacha. Ouça Catterpillar March e tire a prova. Todo o trabalho perfeito dos instrumentos, no entanto, não tira o mérito de John Garcia, vocalista esganiçado-agressivo que, nas ocasiões em que aparece cuspindo seus impropérios, faz você entender por que o Kyuss não decidiu ser “só” uma banda instrumental.

É só pra encerrar a seção de comparações covardes; durante toda a audição do disco percebe-se que aqueles barulhinhos gravados lá no fundo nas músicas do QOTSA também não são tão novidade assim. Aliás, aqui eles ajudam a fornecer o forte tom psicodélico-do-deserto, que ficou bem mais acentuado nos álbuns seguintes do Kyuss, e são essenciais para completar o clima de Black Sabbath em jam psicodélica do disco.

Não que mude alguma coisa, mas o fato de que a banda alcançou tudo isso quando seus principais compositores ainda nem tinham chegado na casa dos vinte é de fazer muito músico por aí entrar em desespero. E nem pense em contar pra eles que Blues For The Red Sun foi considerado um dos 50 álbuns mais pesados da história pela revista inglesa Q. Se você é músico, foi mal. Se não é, baixe a bolachinha agora, ignore o que é “afinação baixa” e divirta-se enquanto tenta descobrir como bater cabeça e rebolar ao mesmo tempo…

[Nota pós-cagada: avisado por nosso excelso administrador, o sr. Lux Lúcio, tomei conhecimento de que este disco já havia sido postado no Depredando. Duas vezes. Sendo assim, vai também o resto da discografia dos minino pra não ficar muito feio.]

Wretch [1991]
DOWNLOAD: 87 Mb - 11 faixas


Blues For The Red Sun [1992]
DOWNLOAD: 89 Mb - 14 faixas


Welcome To The Sky Valley [1994]
DOWNLOAD: 90 Mb - 11 faixas


...And The Circus Leaves Town [1995]
DOWNLOAD: 90 Mb - 13 faixas

terça-feira, 13 de outubro de 2009

:: The Eames Era ::


THE EAMES ERA
Lounge Act, Woxy.com - 03/03/2006

Hoje, o Depredando é o blogue mais careta do mundo. Porque hoje não vamos depredar nenhum patrimônio público de uso coletivo. Não, nem mesmo escrever no banco do ônibus. Não vamos fazer nenhum pobre (pobre?) artista perder milhões de dinheiros por causa de um mais-ou-menos-bem-intencionado link. Ok, sem pânico: o download de hoje é LEGAL.

Pode parecer até que entramos na era dos “bom moços bem-intencionados” e só iremos, a partir de agora, espalhar a Palavra da Salvação em links aprovados pelo InMetro. A partir de agora, só domínio público, e aguardamos ansiosamente o dia em que o Katinguelê vai entrar nessa condição. Besteira! Adotamos todos os desdobramentos que a palavra nos permite pra falar sobre uma banda LEGAL, que tocou em uma rádio LEGAL, que disponibilizou um download LEGAL e também MUITO BACANA.

The Eames Era, banda natural do estado de Louisiana, EUA, começou em 2002 e lançou seu álbum de estreia em 2005, chamado “Double Dutch”. No ínterim, trabalharam com Eps e singles e ficaram famosos em rádios escolares por todo o país, tendo até mesmo uma faixa tocada em séries populares de TV, como Grey’s Anatomy. O som indie-pop que parece cuti-cuti / nheco-nheco, mostra-se “hard” no seu “core” e até mesmo sarcástico, diferente de pelo menos outras setenta e quatro bandas jovens e fofas que ostentam tais rótulos. Tudo isso e mais algumas mensagens trocadas via MySpace resultaram em um “Lounge Act” em 2006 pela rádio online Woxy.com, onde falaram sobre o início da carreira, turnês, uma van nova – perderam a antiga em um acidente durante os eventos do furacão Katrina – e, fizeram um barulho ao vivo.

Track listing:
Go To Sleep
Year Of The Waitress
- Interview -
Boy Came In
Could Be Anything
Dear Gabby